domingo, 28 de fevereiro de 2010

A minha folha!!

Numa tarde fria e ventosa uma pequena folha colou-se à janela.
Quisera eu estar ali a olhar o horizonte cinzento quando a folha se colou à janela.
Não era uma folha qualquer! era uma folha amarela daquelas que já não se vêem muito nos dias de hoje.
Abri a janela e rapidamente entraram muitas gotas e também a folha que se colou à janela.
Decidi apropriar-me da folha que se colou à janela.
E a partir daí chamei-lhe a minha folha que se colou à janela que também é minha.
A principio acho que a minha folha que se colou à janela que também é minha gostava de se colar pois rapidamente se colou à mesa que também é minha.
A partir daí vi que colar é muito bom... é um querer fazer parte de onde não fazemos parte.
Fiquei a olhar para a minha folha que se colou à janela que também era minha e que estava agora colada na mesa que também é minha durante muito tempo.
E reparei que a minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e que agora estava colada na mesa que também era minha minha olhou também para mim.
A partir daí vi que olhar é muito bom.... é um querer perceber o que temos pela frente dando a conhecer o que está a trás.
Depois peguei na minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e decidi pendurá-la para que se sentisse em casa, pois sei que as folhas gostam de estar penduradas nos ramos das árvores.
"Onde?!"
Decidi pendurar a minha folha que se tinha colado na janela que também é minha no candeeiro que é meu do quarto que também é meu.
E a folha caiu!!
Deve ser porque a minha folha que se colou na janela que também é minha é uma folha amarela, e as folhas amarelas gostam de estar coladas em vez de estar penduradas.
Peguei na minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e tentei colá-la na parede.
Só que a folha caiu!
Tentei colar a minha folha que se tinha colado na janela que também é minha por toda a casa que também é minha.
Só que a folha caía sempre!
Deve ser porque a folha quer estar num sitio que não seja meu. Se calhar a folha não quer ser minha!
Então abri novamente a janela e deixei que o vento desta vez levasse a folha que foi minha e que agora já não é.
E fiquei a ver, pela janela que é minha, o vento levar a folha amarela que já foi minha pelo horizonte que não é meu.