domingo, 15 de agosto de 2010

A Formiga e a Cigarra

A cigarra canta alegre pelo caminho
os prazeres que a vida lhe traz
sem pensar
tal como o Barrabás.
A formiga segue pelo carreiro,
põe o seu trabalho em primeiro.
Encontram-se depois e conversam de coisas más.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O canto misterioso

Todas as noites ouvia o vento a empurrar o vidro da janela de casa, o bater de uma porta, um carro a passar, uma discussão mais acesa, a chuva forte a bater no telhado e um canto que me parecia ser de pássaro.
Não consegui durante noites deixar de escutar o canto! Melódico e constante que me embalava e acompanhava nos sonhos!
Até que um dia resolvi! Tenho de pôr fim a esta doce tormenta. Tenho de descobrir que canto misterioso é este!
Dei por mim na praia, a escutar o canto de uma linda sereia, que acompanhado por um coro de peixes, há já longos dias me chamava!
Vem viver comigo! vem provar do meu amor e serás eternamente feliz! - Cantava docemente a sereia.
Sem hesitar entrei no mar, fez-se o silêncio.
Procurei a sereia mas já não escutava o seu canto, apenas o soar das ondas a trepar pela areia!
Despertei com um doce beijo!
Fundido por tamanho amor não mais voltei!

O velho!

Era uma vez um velho que não sabia o que era o mar!
Ouvira dizer uma vez, quando ainda era moçoilo, por um amigo que passara na terra, que o mar era feito de água salgada e era tão grande que ocupava mais de metade da Terra.
O velho não quis acreditar. Se fosse assim tão grande porque é que ele nunca o tinha visto? E se era feito de tanta água porque é que ela não chega até à terra? Já que a água que tem não chega para regar as plantações de batatas e de trigo.
O mar para o velho até podia existir mas não era assim tão grande como o amigo que passara na terra dissera!
Com o passar do tempo o velho mudou a sua opinião acerca do mar. Até porque, diziam-lhe, as sardinhas que ele comia no verão eram apanhadas no mar por pescadores em cima de barcos a motor. Talvez fosse verdade porque ele nunca tinha visto sardinhas nas matas da lá terra!!
Agora aquilo dos barcos a motor com pescadores lá dentro é que já era mais difícil de perceber! Para ele tudo o que tem motor tem rodas e um cano de escape a deitar fumo!!
Até que um dia o velho foi ver o mar. Partiu numa excursão!
Finalmente ia ver se o mar existia!
De volta à terra o velho dizia maravilhas do mar.
Parece a presa lá da terra, só que maior e com mais água. Água ora azul, ora verde, que vai e vem, vá-se lá saber porquê e salgada como o diacho!! O que ele achava mais esquisito eram os carneiros a rebolar em cima da água! E os barcos a motor com pescadores lá dentro existiam realmente !
Agora que o mar ocupa mais de metade da terra isso é que é mentira!O velho dizia que o mar ocupa pouco mais do que dois ou três campos de trigo!Para o velho o mar tinha um fim. E esse era mesmo ali à frente dos seus olhos.