sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Gato pingado (segunda versão)

Havia uma vez, num monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, duas aldeias isoladas de tudo. A aldeia, que ficava do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos tinha uma casa e uma eira muito grande. Nesta aldeia vivia uma velha que ficava sentada num banco de madeira o dia todo.
Na outra aldeia, que ficava do lado direito do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, havia só uma casa pequenina. Nesta casa vivia uma velha que gostava de visitar a sua amiga velha da aldeia do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
A Velha levantava-se bem cedinho todos os dias, quando o sol se preparava para tingir o céu escuro de amarelo e seguia pelo único caminho que existia no monte para visitar a velha da outra aldeia. Ao chegar à aldeia a velha sentava-se com a outra velha e juntas ficavam a cantar na eira da casa. E cantavam o dia todo. Cantavam melodias de tempos em que havia mais casas e mais aldeias no monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
E bem ao final da tarde quando o Sol tingia o céu azul de laranja as velhas paravam de cantar e voltavam para as suas casas.
Faziam isto todos os dias e apesar de serem as únicas habitantes das aldeias do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, as velhas cantavam para os animais que lhes faziam companhia.
Todos os animais adoravam aquela cantoria e alguns passarinhos e outros animais mais afinados juntavam-se às velhas e ficavam ali a cantar o dia todo.
Até que um dia no carreiro que a velha percorria todos os dias apareceu um Gato!
A velha olhou para o Gato, este estava sentado em cima de uma pedra na margem do caminho. Era um Gato preto como a noite e tinha uma mancha branca na testa que parecia uma pinga!
- Que queres tu Gato? vai-te embora! - Disse-lhe a velha.
- Para onde vais? - perguntou o Gato
- Vou para a outra aldeia, estão à minha espera e já estou atrasada! Sai-te... não me faças perder tempo! - Disse a velha
- Posso ir contigo? - Disse o Gato
- Se quiseres vir podes vir! ninguém te impede.
E seguiram pelo caminho até à outra aldeia.
Ao chegarem à outra aldeia a velha juntou-se à outra velha e juntas começaram a cantar!
O Gato deitou-se no chão da eira e ficou ali a tarde toda a ouvir aquelas bonitas canções.
Quando o sol começou a tingir o céu azul de laranja as velhas pararam de cantar e preparavam-se para ir embora.
- Porque pararam? – perguntou o Gato
- Porque já é hora de ir embora! - disseram as velhas
- Podiam cantar também de noite. Não querem cantar também de noite? - perguntou o Gato.
- Queremos mas não podemos. Quando a noite vem temos que voltar para casa senão comem-nos a língua e depois não podemos cantar!
- E se eu não voltar para casa também me comem a língua? – perguntou o Gato
- Isso não sei. Porque não ficas cá fora para saberes? – disse-lhe a velha
E nisto pôs-se a caminhar pelo carreiro de volta para casa que ficava na aldeia do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
Na manhã seguinte quando o sol se preparava para tingir o céu escuro de amarelo a velha fez-se ao caminho para a aldeia vizinha.
Pelo caminho encontrou novamente o Gato que estava sentado numa pedra.
- Então gato ainda aí estás? Sai-te da minha frente que já vou atrasada. – disse-lhe a velha.
E o gato não falou.
Desceu a pedra e seguiu a velha até à aldeia.
Ao chegar à eira da casa a velha disse ao gato.
- Então não falas? Não me digas que ficaste cá fora durante a noite e comeram-te a língua.
O gato não falou e em vez disso miou!
- Bem te disse que se ficasses cá fora iam-te comer a língua. Agora vais ter que saber onde está a tua língua!
O gato percebeu que sem língua não podia falar e que não o podiam entender!!
O gato miou outravês e foi-se embora.
Pensa-se que o gato ainda anda pelo monte grande perdido no meio de montes mais pequenos à procura da língua para poder falar com as velhas!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O MENINO QUE QUERIA COMPRAR O CÉU! (Segunda versão)

Esta é a história do menino que queria comprar o Céu.
Era uma vez um menino que gostava de olhar para o céu e ver as nuvens e desfilar pelo céu azul. Gostava de ver os pássaros a esvoaçar e a chilrear mesmo por cima da sua cabeça enquanto inspirava o doce odor das flores.
O menino gostava de ver os desenhos que as nuvens faziam, ele via animais, castelos, princesas que o namoravam, de vez em quando ele via monstros que não lhe faziam mal.
Ficava até que a luz do sol apagasse todos os desenhos e até que os pássaros deixassem de cantar. Depois ia para casa e adormecia.
Um dia, o menino ouviu um enorme barulho!
VUUUUMMMMMMMMM!
Viu os pássaros no ar a esvoaçar e os desenhos que ele tanto gostava a ficarem..... Esborratados e destruídos!
Mas afinal quem é que faz isto?
O menino foi embora, triste por ter que ouvir aquele barulho, triste porque um fumo branco destruía os lindos desenhos que as nuvens faziam, triste porque os passarinhos já não cantavam lindas melodias no seu caminho para casa.
Não! Assim não pode ser.... - pensava ele.
"Haverá forma de acabar com este horrível barulho?"

VUMMMMMMMMM! E mais VUMMMMMMMMM!

Todos os dias o menino acordava com o enorme ruído, ia para escola sozinho pois os pássaros e os animais que o acompanhavam estavam escondidos com medo.
Os bonitos desenhos que as nuvens faziam apareciam todos destruídos....
O menino andava triste...
Mas quem é que faz isto?
Decidiu ver o que era. O menino sabia que todos os dias de manhã e ao final da tarde o enorme barulho que tudo destruía ouvia-se lá do alto.
Decidiu então que no final da escola ia até o campo esperar para ver o que fazia aquele barulho. Porque é que estragava os desenhos das nuvens que ele tanto gostava e porque é que assustava os seus amigos pássaros.
Esperou sob uma enorme Árvore. Esperou e tornou a esperar e eis que lá no alto, bem lá no alto, apareceu o que parecia ser um enorme pássaro e ...... VUMMMMMMMM! um enorme rasto branco destruiu as nuvens e os seus desenhos. VUMMMMMMM! O barulho ensurdecedor assustava todos os animais!
“Que enorme pássaro é este de que todos tem medo?” – perguntou o menino
E porque é que assustas e destróis tudo por onde passas? – Gritou-lhe o menino em voz alta -
"É um avião" - piou-lhe o mocho que estava mesmo por cima dele poisado num galho.
“Um Gavião!!!? Não, não é! Um gavião não faz mal a ninguém e todos os pássaros o conhecem e não lhe tem medo.” – respondeu o menino
“Não é um Gavião, é um AVIÃO!” – disse o mocho – “Uma enorme máquina inventada pelos homens para conseguirem Voar.... Assim como nós os pássaros."

O menino ficou a pensar não percebia porque é que os homens queriam voar em aviões!! Se eles quisessem voar que façam como ele e que peçam aos passarinhos!"
O menino também não percebia porque é que o avião estava sempre a assustar os seus amigos animais e porque é que o avião não o deixava ver os desenhos que as nuvens faziam!

Tinha de haver uma forma de voltar a ver os desenhos e a ouvir os passarinhos que tanto o divertiam.

"Já sei, vou falar com o dono do céu... Vou pedir-lhe.... Vou pedir-lhe para não deixar passar os aviões "
“E se ele não quiser.... se ele não quiser... eu... eu... eu compro o céu! E ponho as aviões a voar noutro sitio!

E assim, foi....

Subiu a montanha mais alta, que encontrou. E ao chegar ao ponto mais alto da montanha, bem lá no alto chamou o dono do céu!
"Ó dono do céu!! "
"Eu quero falar contigo!"

Por breves momentos não se ouviu mais nenhum som, nem o som dos passarinhos... nem o barulho dos aviões....

Depois de um breve momento ouviu-se:
"Que queres?"- respondeu uma nuvem
"És tu o dono do céu?" - perguntou o menino
"O dono do céu? Ahahahah, o que lhe queres?– perguntou outra nuvem
"Quero pedir-lhe para não deixar passar os aviões..... " - gritou-lhe o menino.
"Infelizmente esse pedido não pode ser realizado! Os aviões também são importantes. Fazem algumas pessoas felizes" - disseram-lhe os raios do Sol
“Podes ter razão, mas fazem muito barulho e assustam os meus amigos passarinhos e destroem os bonitos desenhos que as nuvens fazem!” – Respondeu o menino.

De novo o silêncio caiu sobre a montanha. Apenas a leve brisa bailava por cima do menino!
E ele ficou a olhar aquele bailado que o divertia!

Depois, como ninguém lhe respondia.... o menino tornou a gritar:
Sabem que se o céu não tem dono é porque ainda ninguém o comprou... por isso eu vou comprar o céu. E não vou deixar que os aviões passem!

De novo instalou-se o silêncio

"Se o céu tivesse dono deixaria de ser céu!" – respondeu-lhe a brisa

E logo depois, no azul do céu, castelos, dragões, e princesas tomaram novamente forma.
O menino ficou muito contente! Há já muito tempo que não via os desenhos das nuvens!

Depois surgiram os passarinhos que cantavam belas melodias.
Há já também muito tempo que o menino não ouvia os passarinhos a cantar!

O menino estava muito contente com aquele espectáculo.

Agora o menino já não se importava com o barulho dos aviões. Do cimo da montanha ele não os conseguia ouvir!

Percebeu que sempre que quisesse ver os desenhos das nuvens, ouvir os passarinhos a cantar, bastava ir até aquele lugar.
O menino ficou muito contente por existirem lugares como aquele, onde não se ouviam os aviões.

E então deitou-se a contemplar os lindos desenhos, a brisa que bailava mesmo por cima da sua cabeça....
Até que por fim, embalado pela melodia dos passarinhos o menino adormeceu!

sábado, 9 de outubro de 2010

Musi o Reboladeiro

O Sol iluminava todo o vale com os seus raios dourados e o canto dos passarinhos entoava por todo o vale.
Pelo ar uma leve brisa arrancava as folhas das árvores e deitava-as ao chão.
O Musi que era um musaranho d'água parecia brincar na água cristalina do Ribeiro! Rebolava pelas margens do ribeiro sob o olhar atento da Musa (uma linda musaranha), que da janela da toca lhe dava instruções - Mais rápido, mais rápido!
Nos últimos dias os treinos eram sempre assim. O Musi acordava e ia correr, depois ficava a rebolar pelas margens do ribeiro o resto da manhã.
Estava a treinar para o campeonato de "Rebola" que ia começar na próxima semana.
O Musi foi o campeão no ano passado e este ano também queria voltar a ganhar! Ele gostava muito deste desporto. Adorava rebolar pelas margens do ribeiro e mergulhar na água límpida do rio. E ele fazia-o muito depressa! Tão depressa que ficava muito tonto e todo sujo de lama.
O ano passado ficou à frente da segunda classificada a rela Pinchas que também é uma óptima reboladeira!

As bancadas estavam cheias para assistir ao campeonato de "Rebola". Todos os animais do vale estavam presentes e apoiavam os seus atletas favoritos.
O primeiro a rebolar era o caracol. O caracol demorou tanto tempo a começar que o árbrito decidiu iniciar a prova do segundo atleta o sapo parteiro Hernano.
O Hernano colocou-se na linha de partida e quando soou o apito do árbrito, deu um salto tão grande, tão grande que caiu directamente na água do ribeiro.
- É batota! É batota! Ele tem que fazer o percurso todo!! Gritava-se das bancadas.
O árbrito decidiu desclassificar o sapo parteiro Hernano por irregularidades.
Chamou o terceiro atleta o lagarto-dágua Bernardo.
Mal soou o apito do árbrito o lagarto de água Bernardo começou a correr pela pista, chegou ao ribeiro e rebolou margem abaixo até entrar na água.
Segundo o placard central o Lagarto-d'água Bernardo fez a prova em 15 segundos e 43 centésimas!
- Boa prova! - ouvia-se das bancadas.
O árbrito olhou para o caracol que ainda se estava a preparar para iniciar a sua prova!
A terceira atleta era a rela Pinchas. Uma das favoritas do público.
Ao apito do árbrito a Pinchas fez um arranque tão veloz que deixou para trás uma enorme nuvem de poeira! 10 segundos e 15 centésimas marcava o placard.
Um enorme Uauuu! ouviu-se das bancadas.
O árbrito assinalou um novo recorde de tempo no campeonato de Rebola!
O caracol estava a chegar à linha de partida quando o Musi começou a sua prova!
Ao soar o apito o Musi, ágil e pequeno como era, correu tão rápido tão rápido que ninguém o viu a passar! O publico só percebeu que o Musi tinha acabado a prova quando viram a água do ribeiro agitada.
A Musa gritava de contente nas bancadas e todos estavam espantados!
- Foi mais rápido do que a Pinchas. Nã Nã, a Pinchas é que foi mais rápida! - ouvia-se das bancadas.
Um enorme silêncio fez-se ouvir quando o placard mostrou o tempo do Toupas de 10 segundos e 15 centésimas. Exactamente o mesmo tempo que a rela Pinchas!
Nas bancadas discutia-se. Uns diziam que a Pinchas é que devia ganhar porque foi a primeira a fazer a prova. Outros diziam que o Musi é que era o campeão pois ele já tinha ganho o ano passado e também devia ganhar este ano. Outros diziam que se devia repetir o campeonato porque não podia haver dois vencedores de uma vez!
Instalou-se a barafunda nas bancadas. Todos discutiam!
Até que o árbrito decidiu quem seria o vencedor.
- Este ano vamos ter dois vencedores no campeonato de Rebola. A rela Pinchas e o musaranho d'água Musi porque fizeram o percurso no mesmo tempo. - disse o árbrito
Ouviu-se um murmúrio nas bancadas.
O Musi, como óptimo desportista que era, resolveu dar o campeonato à rela Pinchas. Ela é que merece o prémio - disse o Musi - Afinal de contas, ele já tinha ganho o ano passado e não precisava de ganhar dois anos seguidos!
E assim entregou a taça de campeão à rela Pinchas.
Nas bancadas ouviram-se vivas e urras!
Tinham encontrado um vencedor do campeonato de Rebola.
E o caracol?
No meio de toda esta confusão esqueceram-se do caracol na pista!!
O árbrito correu até à pista e não viu o caracol!! Foi até à margem também não o consegui ver! que é feito do caracol!?
Olhou em volta e lá ia ele ao fundo do caminho, lentamente a caminho horta!!!
Parece que a competição lhe fez fome!