sábado, 29 de dezembro de 2012

O som desconhecido (Parte III)

Musi e os amigos decidiram partir em direção à caverna dos sete ursos, nas montanhas amarelas, em busca do som desconhecido que a coruja lhes tinha falado.
- Achas que vamos encontrar o som desconhecido? - Perguntou o Texugo ao Musi.
- Sim, claro que vamos! Temos é que procurar muito bem. - Respondeu o Musi.
- A coruja contou-nos que o rei Jaguar tinha cavado uma cova grande para enterrar o som. - Disse a Musa.
- Então procuramos por vestígios de terra remexida ou de uma grande cova! - Disse o Musi.
- Contem comigo! - Disse a Toupeira - Consigo detetar terra remexida com facilidade!
- Ou não fosses tu uma excelente mineira! - Disse o Javali
- E quando encontrarmos o som o que faremos? - Perguntou o Grilo
- Libertamos o som. - Respondeu o Musi.
- E se o perdemos? Quando o libertarmos ele dispersa-se no ar e depois nunca mais o podemos ouvir! - Disse o Javali.
- Eu como tenho bom ouvido sou capaz de aprender a música de uma só vez. Então vou estar muito atento quando o som desconhecido surgir! Depois poderei cantá-lo para que todos na floresta o possam ouvir! - Respondeu o Musi.
O plano estava traçado e apenas tinham que encontrar o local certo para libertar o misterioso som desconhecido e enterrado há tantos anos na caverna.
Os amigos seguiam o seu caminho quando avistaram as brilhantes montanhas amarelas. Quando chegaram  ao sopé da montanha, seguiram por um caminho estreito que os levou encosta acima até ao topo onde podiam ver a floresta onde viviam! Pelo caminho, os amigos repararam que existiam muitas árvores com folhas amarelas como o sol. Quando, de dia, o sol, ou, de noite, o luar, brilhava sobre as folhas das árvores estas reflectiam o seu tom amarelo que se podia ver a quilómetros de distância. Então os amigos perceberam que as montanhas amarelas, se chamavam montanhas amarelas, por causa das árvores de folhas amarelas!  
No topo da montanha os amigos encontraram a entrada da caverna dos sete ursos. Antes de serem caçados os sete irmãos ursos viveram naquela caverna e eram conhecidos por serem muito gulosos! Todos os anos os ursos desciam da montanha para se lambuzarem com o mel das abelhas da floresta!
Acenderam as tochas e penetraram na caverna escura e fria. 
- Acho que estou a ouvir um barulho. - Disse o Javali
- Também eu! Parece alguém a falar! - Disse o Grilo.
- Quem está aí? - Gritou o Musi
- Sou eu o Morcego, guardião desta caverna! Quem são voçês?
O Musi apontou a tocha para o teto da caverna e viu de cabeça para baixo um Morcego que lhes falava.
- Olá. Talvez nos possas ajudar! Somos habitantes da floresta e estamos numa expedição. - Disse o Musi.
- Sim, estamos à procura do som desconhecido. Diz-se que foi enterrado nesta caverna há muitos anos atrás. - Disse a Musa.
- Andam à procura de pão?! Pão desconhecido?! Amigos isto não é uma padaria... é uma gruta de renome. Aqui viveram animais muito ferozes, capazes de vos comer a todos de uma só vez!! Humf!
Vão-se embora, aqui não há pão! - E dito isto o Morcego fechou os olhos voltou a dormir.
- Não procuramos pão! Procuramos o som desconhecido enterrado aqui pelo rei Jaguar! - Disse o Javali
- Rei Jaguar?! Ah sim, já me lembro, veio cá há muitos anos atrás com um periquito e enterrou qualquer coisa lá para trás. Sim já me lembro!
- Não era um periquito! Era uma ave rara muito bela! - Corrigiu a Toupeira.
- Podes dizer-nos onde foi que ele enterrou o som desconhecido? - Perguntou o Musi.
- Seguem pelo corredor à vossa direita e é na terceira galeria à esquerda.  E tenham atenção ao riacho! Não quero tirar ninguém da água! Detesto água.  - Disse o Morcego.
- Obrigado Morcego, não te preocupes, estamos acostumados aos riachos. - Disse a Musa
Os amigos seguiram as indicações dadas pelo Morcego e quando entraram na terceira galeria sentiram a leve brisa que soprava das profundezas da terra e ouviram o som da água do riacho a correr. No teto uma fenda deixava entrar um raio de luz que iluminava toda a galeria.
Então a toupeira começou rapidamente a procurar na caverna por terra remexida.
- É aqui. - disse a Toupeira - é aqui que está enterrado!
- Vamos cavar e libertar o som desconhecido! - Disse o Musi.
Os amigos começaram a cavar a terra quando, quando, de repente, começaram a ouvir um belo som. Primeiro suave como a brisa, depois, nítido e cristalino como a água do ribeiro! Ficaram deslumbrados com a beleza daquela melodia!
O som entoou pelas galeria da caverna e depois percorreu todo o espaço, espalhando felicidade e alegria a todos os que o ouviam! Depois saiu da caverna em direção à floresta e os amigos deixaram de o ouvir. O belo som tinha sido finalmente liberto e revelado aos habitantes da floresta!
- Que lindo! Nunca tinha ouvido nada assim! - Disse a Musa
- Consegues cantá-lo? - Perguntou a Toupeira?
- Acho que sim! - Disse o Musi.
O Musi concentrou-se e depois começou a cantar o som desconhecido. Os amigos ficaram encantados e maravilhados com aquele som. O vento que soprava, a água do rio a correr, o ranger dos ramos das árvores, o cantar dos pássaros, os amigos, tudo parecia acompanhar o Musi naquela bela melodia. Todos os seres por momentos se uniram a contemplar aquela melodia.
- Uau! Que belo. - Disse a Musa
- É mesmo igual! Ficava a ouvi-lo o resto da minha vida! - Disse o Grilo
- Estou tão contente por termos recuperado este som! - Disse O Musi. - Agora a nossa floresta será um local ainda mais bonito e mais feliz.
Então os amigos regressaram, felizes por terem devolvido à floresta o som desconhecido.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Em busca do som desconhecido (parte II)

Musi e os amigos ficaram muito curiosos com toda aquela história e pediram à coruja para contar o que sabia sobre o som desconhecido.
Então a coruja continuou:
- Há muito tempo atrás a floresta era governada pelo rei Jaguar, um rei muito mau, que não deixava os seres da floresta serem felizes.
O rei Jaguar governava pela força e pela violência e se houvesse alguém que esboçasse um sorriso ou cantasse uma música, perecia imediatamente sob as suas fortes garras.
A floresta tornou-se num sitio escuro, frio, sem lugar para o brilho da felicidade, nem para o calor da alegria. 
Certo dia, um cavaleiro, que trazia consigo um belo pássaro decidiu parar naquela floresta para recuperar forças. O cavaleiro depois de procurar um abrigo para repousar, libertou o belo pássaro para que voasse e recuperasse forças.
Nunca antes, naquela floresta, se vira um pássaro tão belo como aquele. As penas eram azuis como o céu num dia de verão, o bico era brilhante como os raios de sol e voava tão suavemente como a brisa que afaga as folhas das árvores.
Os animais da floresta, impressionados com a beleza daquele pássaro, aproximavam-se do abrigo para o ver mais de perto. Depois de voar pela floresta, o pássaro poisou num ramo e começou a cantar. Os habitantes da floresta ficaram encantados. Nunca se ouvira um som tão belo como aquele, nem mesmo antes de o rei Jaguar ter impedido todos os pássaros de cantarem.
Uma enorme alegria inundou o coração de todos os animais, os ramos das árvores rebentaram e ganharam nova cor, os rios transbordaram as margens, as flores brotaram do chão colorindo e perfumando toda a floresta.
Por instantes, com a felicidade e a alegria de todos os seres, a floresta ganhou nova vida. A floresta transformou-se com aquele canto e voltou a ser novamente a bela floresta que todos conheciam.
O rei Jaguar ao ouvir aquele pássaro cantar ficou muito irritado! Ninguém o afrontava daquela maneira e muito menos na sua floresta. E como muitos outros seres que ousaram desafiar o rei Jaguar, também o cavaleiro pereceu sob as suas garras.
O belo pássaro não morrera. Em vez disso o rei Jaguar meteu-o numa jaula e levou-o para a caverna dos sete ursos que fica na montanhas amarela. No chão da caverna o rei Jaguar cavou uma enorme cova e obrigou o pássaro a cantar para dentro dela. Depois, quando o belo pássaro cantou toda a música, o rei Jaguar cobriu a cova com terra e enterrou, para sempre, aquele magnifico som que havia transformado e unido toda a floresta.
O pássaro não voltou a cantar e viveu enjaulado na caverna dos sete ursos até ao final dos seus dias.
Quando o rei Jaguar morreu, a floresta foi recuperando lentamente a felicidade até que se transformou na bela floresta que hoje todos conhecemos e onde todos gostamos de viver.
- Uau! Não sabia que tinha havido um rei que tinha governado a nossa floresta! - exclamou o Texugo
- E um rei tão mau! Não consigo imaginar a nossa floresta como um sitio escuro e frio! - disse a Musa!
- E sem o canto dos pássaros ou o perfume das flores! - Disse a Gineta
- Gostava de saber cantar esse som! Será que ainda existe?- perguntou o Musi.
- Só há uma maneira de descobrir. - Disse a coruja - Procurando na caverna dos sete ursos!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Em busca do som desconhecido (Parte I)

Contam-se pelas estrelas do céu as vezes que o Musi cantarolava a música Hey Jude dos Beatles. Ele cantava-a com tamanha afinação que toda a floresta parava para ouvir a sua bela voz.
O Musi percebia muito de música e de canções.
- Ensinou-me uma vez um Rouxinol. - Disse o Musi ao Grilo quando este lhe perguntou como havia aprendido a cantar tão bem.
- As notas, as escalas, os acordes, as tonalidades, a harmonia. O rouxinol disse que eu tenho um ouvido muito raro, um ouvido d'ouro e que por isso valia a pena ensinar-me a música.
- És tão afinado, nem eu consigo cantar tão bem! - disse o Grilo.
- Para ser bom cantor é preciso treinar. E ele, lá em casa, está sempre a cantarolar para conseguir cantar bem! - Disse a Musa.
- E ainda bem que treinas. É uma delícia ouvir-te cantar. - Disse o Javali.
- Basta ouvir uma música, uma só vez, para cantar igualzinha. Som por som! - Afirmou o Texugo.
- Eu conheço todos os sons do mundo. - disse orgulhosamente o Musi - Por isso consigo cantar a música que quiser.
- Conheces todos os sons do mundo menos um! - Disse a Coruja que tinha chegado entretanto.
- Conheço todos os sons! - afirmou o Musi - Não há nota que me escape, nem som que não consiga cantar! O rouxinol, que é o melhor músico da nossa floresta, ensinou-me todos os sons que existem e todas as músicas também!
- Olha que não! - insistiu a Coruja - Há um som que não conheces. Nenhum de nós conhece, nem mesmo o rouxinol. Esse som deixou de ser ouvido muito antes de termos nascido. Só alguns é que ouviram falar dele. Diz-se que é o som mais belo que alguma vez se ouviu. É um som tão belo que une todos os seres num só! É como se todos na floresta fossem apenas um todo! As árvores, os animais, os rios, todos, todos unidos por aquele som magnífico.
- Nunca ouvi falar de tal coisa... As árvores, os animais, os rios todos unidos! - disse a Musa
- Então porque é que o rouxinol nunca me falou desse som? - Perguntou o Musi
- Porque o som está enterrado! Preso no fundo de uma caverna. E ninguém o sabe cantar! - Disse a Coruja.
O Musi e os seus amigos ficaram muito curiosos com a história que a coruja contou. Porque é que estaria um som tão belo enterrado? Quem o teria enterrado?
- Nunca ouvi falar de um som que pudesse unir todos os seres. E que bom que seria se todos os seres pudessem estar unidos! - pensava o Musi