Incumbo-me da inspiração divina
e que não me seja cara,
tamanha ousadia,
para versar o dia que me foi dado.
Perseguia o nobre cavaleiro do Norte
por terras áridas, por terras frias,
o doce elixir, o desejado cálice,
sublime empresa que irrompeu em sua sorte.
Janela ovada em parede alta
melódico e doce canto de lá soava.
A ribatejana aquietava a brisa!
Serenava o olhar no horizonte que falta!
- Acorda agora a doce ribatejana?
ousou segregar o brioso noviço.
Maus versos do cavaleiro do norte!
numa manhã de inverno, ficou entregue à sua sorte!
- Quem ousa falar-me assim?
Ninguém me desarma, sem levar o troco.
O meu sangue ribatejano fala mais alto.
Rendição, ou morte de pasquim!
Nem cavaleiro alado, vampiro sedento,
zombie marado, ou gugu sebento!
A Ribatejana, mais forte,
faz do cavaleiro do norte um peão sem espada, nem sorte.
E mesmo assim,
com o desnorte do mundo,
sobre o incauto peão
a implacável ribatejana não abriu mão.
E com o cavaleiro prostrado no chão,
o derradeiro ataque faz-se verdadeiro.
Lança-lhe a ilusão desejada,
a certeza da sua cruzada.
E eis que o cavaleiro,
movido pela sua inabalável fé,
se alevanta, dando o esperado passo!
Coragem de escudeiro,
que em má hora se fez…
A temível ribatejana,
rodando os folhos da sua saia,
cobriu de morte o desafortunado cavaleiro!
O cinzento no céu
Folhas soltas,
rodopiando pelo caminho enlameado
Prenúncio terrível que o cavaleiro ignorou!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
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