Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Era uma vez um cubo!

Era uma vez um cubo que vivia na cidade dos sólidos geométricos no planeta da Geometria.
O cubo gostava muito de visitar os museus e passear pelas ruas para ver a geometria da cidade dos sólidos. Ele gostava de ir até ao museu dos sólidos e admirar a brilhante pirâmide, o seu sólido favorito. A pirâmide era um sólido muito grande que estava no centro da enorme sala quadrangular. O cubo admirava as longas arestas que se uniam lá no alto num único vértice. Depois olhava para a sua imagem refletida nas enormes faces triangulares que a compunham. Aí percebia que as faces e arestas da pirâmide são muito diferentes das faces e arestas que formavam os cubos como ele.
Apesar de não ter pernas para andar, o cubo arrastava-se pelas ruas e passeios da cidade dos sólidos geométricos.
E como era um cubo muito pesado, ele, sempre que se arrastava, desenhava no chão duas longas semirretas paralelas que o acompanhavam para onde quer que ele fosse. As semirretas paralelas rapidamente se tornaram as suas melhores amigas.
Um dia o cubo foi até ao museu das figuras geométricas, onde observava os inúmeros polígonos que estavam expostos. "Os Polígonos são uma enorme família!" - pensava ele ao admirar a enorme quantidade de polígonos existentes. Há os formados por lados perpendiculares, por lados paralelos, há os polígonos regulares e irregulares. Depois percebeu que o nome dos polígonos têm a ver com o número de lados. Um polígono trilátero têm três lados e o o plígono quadrilátero têm quatro lados" - pensou o cubo. "E quantos lados tem um pentágono?" - perguntaram as semirretas ao cubo para ver se ele tinha compreendido. "Essa é fácil! Tem cinco lados. Penta é um perfixo grego que significa cinco." - respondeu o cubo. "Há polígonos que têm nomes muito engraçados como o eneógono, o decágono e o undecágono" - comentou o cubo para com as suas amigas semirretas paralelas.
Um dia, quando voltava para casa, depois de ver uma exposição de retas, o cubo viu um sólido a rebolar pela rua a alta velocidade.
"Olá esfera, para onde vais com tanta pressa?" - perguntou o cubo.
"Vou para a festa dos não poliedros e já estou atrasada. Adeus Cubo!"
"Adeus esfera" - disse o cubo.
"Festa dos não poliedros!? o que é isso cubo?!" - perguntaram espantadas as semirretas paralelas.
"A festa dos não poliedros é uma festa onde só podem entrar sólidos geométricos que têm pelo menos uma superfície curva" - respondeu o cubo - "Eu sou um poliedro, porque só tenho superfícies planas, e não posso entrar."
"Olha que falta pouco para seres um não poliedro!" - Disse uma semirreta.
"Pois é! Se continuares a comer os chocolates que comes vais ver que a tua barriga ainda fica redonda!" - Disse a outra semirreta paralela.
Os tres amigos soltaram uma enorme gargalhada e continuaram o seu caminho de volta a casa!

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

O Henrique e a Marta

O Henrique passava horas a ver televisão. Adorava os desenhos animados e sabia o nome de todas as personagens de todas as séries de desenhos animados que passavam. Sabia também de cor a programação de todos os 458 canais da televisão. Isto, claro está, com muita ajuda do teletexto. Não passava um segundo só de televisão que o Henrique não perdesse. Ele comia à frente do televisor, estudava à frente do televisor, brincava à frente do televisor só para não perder nenhuma série. E quando se fartava, ligava a X-box e distraía-se um pouco a jogar Tomb Raider, o que era coisa muito rara porque o que ele gostava mesmo era de ver televisão. Não tinha muitos amigos, e costumava falar com a Marta, no intervalo das series, quando passavam anúncios.
A Marta era muito amiga do Henrique! Gostava dele de uma maneira diferente. Aos amigos dizia que ele era seu amigo e nada mais, mas quando os pais lhe perguntavam se já tinha namorado, ela, muito envergonhada respondia que era o Henrique. Ela gostava de se sentar perto dele para ver televisão, mas logo se fartava e partia para outra. Tentava movê-lo a fazer outra coisa mais divertida. Dizia-lhe então se não queria brincar com os carrinhos que o teu pai lhe tinha dado no aniversário? ou então convidava-o para jogar ao esconde-esconde, à macaca, ao elástico? Mas nada! não obtinha resposta nenhuma...
Uma vez, encheu-se de coragem, e meio envergonhada, disse-lhe por entre dentes que gostava dele. Que estava apaixonada por ele! Esperou pela resposta, como fazem nas séries! Só que ele não se demoveu. Decidiu então dar-lhe um beijo na cara para ver se ele respondia... e nem assim.
Triste começou a pensar em maneiras de o demover!! Só que já tinha tentado de tudo e nada tinha dado o resultado que ela esperava.
Tem de haver uma maneira. Até que se lembrou, que a televisão só funcionava porque havia corrente eléctrica! Tudo existia porque havia corrente eléctrica! a T.V. a X-Box, o comando da televisão, a luz da sala.
E decidiu, então cortar a corrente eléctrica da casa!
Plim! tudo se apagou. A saltitar a pequena Marta foi até à sala. O Henrique lá estava, de volta do televisor a tentar perceber porque se apagara!
- Sabes o que se passou Marta?
- A corrente eléctrica está cortada! deve ser geral! Anda vamos brincar!
- Oh que pena e logo agora que ia dar o Stimpy & Ren...
- Não faz mal, anda vamos jogar à apanha!
- Está bem.
E foi assim que a Marta conseguiu demover o Henrique de ver televisão... e também de lhe dizer que gostava dele!

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

A Becas

A Becas é uma gata que gosta muito de comer. Ela não come alarvemente, até ficar barriguda e adoecer. Não! Ela gosta de saborear a comida. Come só o essencial e depois, senta-se no sofá e passa horas a alisar os seus longos bigodes como que se estivesse ainda a saborear o petisco acabado de comer.
Quando mudo de marca do petisco, a Becas também se aparecebe. Então, como que a dizer que está atenta e que não se deixa enganar, roça-se nas minhas pernas levemente e solta um longo miau!
A minha becas empre foi assim, um espetáculo digno de se ver.

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

O Túnel da Covas

O cantar do melro anunciava os primeiros raios de sol. O dia estava a nascer e o vale ganhava cor e movimento.
O Musi e a Musa, ainda dormiam, na toca, à beira-rio, quando de repente, sentiram o chão a tremer!
- Ó Musi, pára quieto, assim não consigo dormir! - disse a Musa ensonada.
- Não me mexi! está aqui qualquer coisa debaixo do chão!!! - Disse assustado o Musi!
Os dois deram um pulo da cama e encostaram-se à parede. O solo estava a mexer-se!!
Mesmo por baixo da cama do Musi e da Musa levantou-se um pequeno monte de terra, e, para espanto dos dois, saiu de lá um pequenino animal de pêlo cinzento, com um focinho acastanhado mas não tão grande como deles!
- Humm! Bolas... errei outra vez! - disse o pequenino animal, enquanto tirava a terra do focinho com as suas garras.
- É claro que te enganaste! Acabaste de me estragar a cama e fizeste um enorme buraco no chão da minha toca!!- Disse irado o Musi
O pequeno animal não ouviu o que o Musi tinha dito. Continuava a dizer que se tinha enganado e começou a fazer cálculos e mais cálculos em voz alta.
- Olha Musi, ele não tem olhos, não nos consegue ver! - disse espantada a Musa
- Eu tenho olhos, só que estão escondidos debaixo do pêlo! - interrompeu os seus cálculos para responder.
- Então devias cortar o pêlo! Assim já podes ver por onde andas! - disse o Musi
- Não me servia de nada! Debaixo da terra não há luz e com olhos não consigo ver nada. Em vez dos olhos eu tenho um olfacto e uma audição muito apuradas. Só pelo olfacto consigo detectar que vocês são dois musaranhos-de-água! E pelo vosso tom de voz digo que são um macho e uma fêmea, portanto um casalinho!
- Uau!!! - disseram espantados - desta vez não te enganaste! E porque é que andas debaixo da terra?
- Bem, é que eu gosto muito de comer minhocas e em vez de ficar à espera que elas saiam da terra, faço túneis para ir atrás delas!
- Túneis!? - disse o Musi interessado!
- Sim, estava a escavar um túnel para chegar até ao prado, porque lá há mais minhocas. Só que fiz mal os cálculos e vim ter a vossa casa!Mas não se preocupem que eu tapo tudo! - Disse o pequeno animal.
- Não faz mal. - disse a Musa
- Oh, que falta de educação a minha, ainda não me apresentei, eu sou a Covas e sou uma Toupeira.
- Eu sou a Musa e este é o Musi, e vivemos nesta toca à beira rio. O prado não fica muito longe e se quiseres podemos levar-te até lá!!
- Não é preciso, eu tenho de continuar a fazer o meu túnel!
- Vais fazer um túnel para o prado?Mas isso é genial! - disse o Musi.
- Pois é!! Depois, no inverno, quando os campos estiverem cheios de neve, iríamos pelo túnel para brincar no prado e visitar os nossos amigos! - disse a Musa.
- Precisas de ajuda? - perguntou o Musi
A Toupeira Covas não ouviu! Estava concentradíssima nos seus cálculos. Somava e subtraía , calculava distâncias e comprimentos. Tentava perceber onde é que se tinha enganado.
A Musa e o Musi olhavam para a sua nova amiga. Reparavam na sua estranha aparência e nas enormes mãos que ela tinha. Eram brancas e tinham umas unhas grandes e fortes, pareciam garras. Devia ser para escavar a terra e fazer os túneis que ela tanto gostava, pensaram!
- Aha! já sei onde é que me enganei. - disse de repente a Covas - Foi à beira da raiz do carvalho, deveria ter continuado a escavar em frente durante mais cinco metros! em vez disso virei à direita e vim ter a vossa casa. Agora se escavar mais 5 metros, em direcção ao Sul, devo chegar ao prado
- Precisas de ajuda? - repetiu o Musi
- Se me quiserem ajudar, podem a retirar a terra do túnel! - disse a Covas
E assim o Musi e a Musa ajudaram a Covas a construir o túnel até ao prado. A Covas com as suas enormes garras ia escavando a terra! Ela escavava a terra com tanta rapidez e agilidade que a Musa e o Musi não tinham mãos a medir para tirar tanta terra! De vez em quando, a Covas fazia uma pausa, não porque estivesse cansada, mas porque encontrava uma minhoca e deliciava-se a comê-la. No final do dia o túnel já estava construído e os cálculos que a Toupeira Covas fez estavam certíssimos.
O Musi e a Musa ficaram muito contentes com o túnel que saia de sua casa e ia até ao prado. O Túnel ia dar-lhes muito jeito no inverno.
- Depois passa em nossa casa! Vou fazer uma tarte de minhocas só para ti! - disse a Musi
- Humm! Que delicia, nem precisas de chamar por mim, mal te ouça a mecher nos tachos eu venho logo!- disse Toupeira Covas

Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

A flor do menino

Era uma vez um menino que vivia num apartamento com a sua mãe e a avó. O apartamento onde o menino morava ficava numa cidade muito grande, com muitas estradas e onde viviam muitas pessoas que circulavam em carros a toda a velocidade. O menino, da janela do seu apartamento, via filas intermináveis de carros e, quando estava calor, conseguia ver uma nuvem castanha a pairar sobre a cidade.
- Ó mãe porque é que aquela nuvem não se vai embora como as outras? - perguntou o menino
- Porque é uma nuvem de poluição e enquanto houver carros ela não se vai embora. - Respondeu a mãe
- Os carros libertam fumo para o ar e depois forma-se essa nuvem castanha que tu vês com gases poluentes! é o que se chama de poluição atmosférica! - Completou a avó.
- É tão feia a nuvem, se ao menos fosse branquinha como as outras!
O menino continuou a olhar da janela e reparava na nuvem e nos carros que passavam na estrada. Pensava que aqueles carros não deviam fazer aquela nuvem castanha. talvez sfosse melhor se as pessoas andassem a pé ou de balão! Assim não faziam aquela nuvem castanha e feia.
Os dias foram passando e o menino recebeu de presente da avó e da mãe um vaso com uma flor!
- Vou pô-la à janela, para ela apanhar sol! as flores gostam muito de sol! - disse o menino
- Pois é, sem o sol a flor fica triste e acaba por morrer! - disse a mãe
- E também não te esqueças de a regar. Senão ela fica com sede e depois seca. - disse a avó
Agora o menino ficava agora todos os dias à janela, ora a olhar para a sua bonita flor ora a olhar para os carros a passar na estrada.
Os dias foram passando e o menino começou a reparar que as folhas da sua flor estavam sempre cheias de pó. não percebia! Todos os dias o menino regava a flor para ela não passar sede e deixava-a ao sol para ela não morrer. Não lhe tinham dito para limpar o pó! Nem porque é que havia sempre tanto pó nas folhas da sua flor.
- Ó mãe porque é que as folhas da minha flor têm sempre tanto pó?
- É por causa dos fumos que os carros libertam para o ar! - Respondeu a mãe.
- O fumo dos carros liberta poeiras que sobem pelo ar e depois vão assentar nas pétalas da tua flor! - Completou a avó.
- Então temos que ir embora daqui antes que a flor fique mais suja e doente! - disse o menino.
- E nós também! - Responderam a mãe e a avó ao mesmo tempo!
A mãe, o menino e a avó decidiram então mudar-se para outra cidade.
O menino ficou muito contente, já não via carros da sua janela, nem a nuvem castanha e feia a pairar sobre as estradas. Agora já não havia o pó que subia pelo ar e que poisava nas pétalas da sua flor! A sua flor já não ia ficar doente! e ele também ia ter menos trabalho...

Domingo, 26 de Junho de 2011

O telemóvel do Musi

A leve brisa abanava as folhas dos Amieiros e o Pica-Peixe lançava vertiginosos ataques aos saramugos do ribeiro. O Musi observava na margem todo aquele espectáculo aéreo.
- O Bicas está a voar desde a manhã e ainda não apanhou nenhum peixe. - disse o Musi.
- Deve ser o calor que o faz lento. - disse a Musa.
passado uns tempos, apareceu o Mocho Quim. Vinha muito apressado e trazia consigo um enorme caixote amarrado com duas linhas!
-Olá Mocho Quim. Ainda a trabalhar?Mas hoje é Domingo!
- O meu patrão pediu-me para despachar esta encomenda. Depois desta entro de folga. Olha é uma encomenda para ti!
- Para mim? que bom! adoro receber encomendas.
Então o Musi abriu a caixa e dentro dela estava um bonito telemóvel e uma assinatura mensal na rede PP - PicaPau telecomunicações!
- Olha Musi, que bom! O telemóvel que ganhaste na feira da primavera o ano passado! - Disse a Musa.
- Demorou mas chegou! Agora já te posso telefonar quando e onde quiser! - disse o Musi.
- Ó Musi para isso era preciso que a Musa também tivesse um telemóvel, assim como o teu! - disse o Mocho Quim.
- Bem, então tenho de ganhar um telemóvel para ti também! - gracejou o Musi
Todos se riram com a situação, depois o Musi convidou o Mocho Quim para jantar em casa deles.
No final do jantar o Musi lembrou-se que o Texugo Mário também tinha ganho um telemóvel.
- Ó Mocho Quim sabes o número do Texugo Mário? Gostava de lhe telefonar.
- Tenho sim, deve estar pra aqui algures! deixa cá ver!
Depois de encontrarem o número, telefonaram ao Texugo Mário e ficaram horas a conversar ao telemóvel. Primeiro falou o Musi, depois falou a Musa e no final falou o Mocho Quim. Há muito tempo que não tinham notícias uns dos outros e era bom poderem conversar e matar saudades.
Ficaram a saber que a Doninha Elisabete e o Pica Pau Estanislau também têm um telemóvel!
- Vou fazer uma lista de amigos que têm telemóvel para depois lhes telefonar! - Disse a Musa.
- Assim já podemos conversar com os nossos amigos quando nos apetecer e marcar jantares em nossa casa - disse a Musi.
- Então e eu!! Não se esqueçam de mim - disse o Mocho Quim- Eu não tenho telemóvel mas gosto muito de conversar com vocês .... e dos vossos jantares também!!

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Alecrim

O ano passado um passarinho
voou por cima do jardim.
Trazia no bico uma semente
que deixou cair perto de mim.
E a pequenina semente,
se a memória não me mente,
transformou-se num bonito Alecrim.

O Alecrim tinha folhinhas verdes,
flores cor de lavanda pequenas.
Perfumava todo o jardim.
Fazia-me sentir um mecenas.
O Alecrim já lá não está.
Foi arrancado pelo marajá
que no lugar ergueu uma antena!

De olhos postos no céu,
Espero ver o passarico
a voar de novo pelo jardim.
Talvez traga a semente no bico,
a deixe cair perto de mim
e cresça de novo no jardim
o Alecrim que me fez rico.

Sábado, 30 de Abril de 2011

Os ovos do Coelhinho

Era uma vez um coelhinho
que vivia numa toca
mesmo por baixo
da horta do Sr. Juca

O coelhinho, maroto,
comia as cenouras
da horta do Sr. Juca
que ficava cá com umas ouras!

O Sr. Juca dizia:
- Onde andas coelhinho?
Se um dia destes te apanho,
vou-te guisar bem guisadinho!

O coelhinho, esperto,
escapava sempre às armadilhas
era tão rápido, tão rápido,
parecia que tinha pilhas!

Um dia o Sr. Juca
recebeu uma bela noticia
ia ser avô de um rapaz.
orgulho como este ninguém atiça.

Decidiu dar-lhe um presente
como era pobre nada tinha para dar.
Apenas os legumes da horta
que o coelhinho tanto gostava de papar

O coelhinho ao ver o Sr. Juca triste
decidiu ajudá-lo para o compensar
pelas cenouras que tinha comido
tão depressa e sem pensar.

Rápido como era
saltou da toca até ao galinheiro
e tirou de lá uma dúzia de ovos
e pintou-os com dúzias de cores, primeiro.

Depois colocou os ovos numa cesta
e de noite sem ninguém ver
colocou-os no canto da cama
para o Sr. Juca os ver ao amanhecer!

O sr. Juca quando acordou
deu um salto de espanto
tantos ovos numa cesta
tão coloridos e a um canto!

Serão para mim?
quem os teria deixado?
Já sei! Vou dá-los ao meu neto.
E não vou dizer que foi achado.

O coelhinho no outro dia
Ficou muito contente
por o Sr. Juca ter saido com a cesta
para levá-lo ao neto de presente.

E também porque assim
Ficou sozinho na horta
a comer as cenouras que tanto gosta.
Só que agora já não importa.

Segunda-feira, 21 de Março de 2011

Musi e a Primavera

As flores brotam dos ramos e pelo ar paira um doce aroma que contagia de alegria todos os habitantes do vale.
O Musi andava maravilhado com as flores que pintavam o vale na Primavera. Para ele não existiam flores mais bonitas do que aquelas que floriam no vale onde vivia.
O Musi adorava passear pela floresta e misturar-se no cocktail de aromas. Passava longas horas a contemplar as bonitas flores.
Sabia o nome de todas as flores do vale e conhecia as diferenças de cada uma, mesmo as mais imperceptíveis.
A Musa era sempre o alvo preferido de toda a aquela delicadeza e suavidade qque trazia a Primavera.
- O ano passado o Musi levou-me até ao cume da montanha para ver uma Orquídea raríssima! Foi um passeio tão bonito. O que surpresa me vai preparar agora? - pensava a Musa para consigo.
Pelo vale floriam lindas Japoneiras com as sua camélias vermelhas e magnólias rosadas entre outras árvores ornamentais que começavam a lançar os seus rebentos pelo vale.
O Musi entrou em casa a correr! Tinha as mãos atrás das costas.
A Musa olhou para ele e os seus olhos brilharam!
O Musi tirou as mãos de trás das costas e deu a conhecer o que tinha escondido. Era uma linda rosa vermelha.
- Que linda flor Musi. É para mim?
- Colhi no vale esta manhã! E a sua cor é do mais puro vermelho que existe no vale .Cortei-a para ti.
- Da próxima vez não deves cortar as flores! - Disse a Musa
- Porquê? - disse o Musi
- Porque assim estás a tirar a vida a um ser. - disse a Musa
- Só a cortei porque achei que ficava mais bonita na jarra que te dei! - disse o Musi
- Eu prefiro passar pelo caminho e vê-la todos os dias com a sua cor vermelha e viva do que a ver cortada e separada das outras rosas e enfiada numa jarra!
- Quer dizer que não gostaste da minha surpresa? - perguntou o Musi
- Não. Adorei, só que prefiro passear pelo vale e ver as flores a crescer naturalmente.
- Ok. - disse o Musi
Então o Musi colocou a rosa na jarra e pensou sobre o que lhe tinha dito a musa.
Aprendeu que não deve cortar as flores do bosque porque elas são muito mais bonitas no seu ambiente natural.

Domingo, 20 de Fevereiro de 2011

A sapa e o sapinho

Estava o sapo sapinho
a descansar no charco
quando chegou a sapa
no seu belo barco.

"Que fazes sapo sapinho?
Sai da frente para passar o meu barco.
Ai é tão bela a paisagem daqui,
que não quero mais esse charco."

O sapo sapinho coaxou
num tom tão alto.
Que fez uma enorme onda
e virou o belo barco.

"Podes ter um belo barco
e daí veres a bonita paisagem.
Este charco é para se viver!
Não é um ponto de passagem.

Andar de barco enjoa-me.
Gosto de me esconder nos caniços
rebolar pela lama, cantar ao luar
e comer uns belos petiscos?"

"Sapo sapinho
que belo é o teu coaxar.
Quero ir para junto de ti
e este barco abandonar!"

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Musi e o boneco de neve!

O Sol levantava-se e começava a colorir o céu de Azul. Os tímidos raios de sol começavam a aquecer o vale silencioso.
Os animais ainda dormiam e ao longe ouvia-se um galo a cantar.
- Brrr!!! Hoje está muito frio. - disse o Musi
Dito isto levantou-se da cama, subiu a persiana e olhou pela janela.
- Está a começar a nevar! Se continuar assim saio de casa para fazer um boneco de neve - disse o Musi. A Musa virou-se para o outro lado da cama mal os raios de sol entraram pela janela no quarto.
Do céu caíam frágeis flocos de neve que polvilhavam a montanha de branco. Floco a floco a neve esbatia o verde da montanha, cobrindo-a com um enorme manto branco.
Musi adorava neve e sobretudo de fazer bonecos de neve.
O ano passado fizera um boneco de neve com duas bolas. Só que não se aguentou durante muito tempo. Derreteu-se assim que os raios de sol cedo se escaparam por entre as nuvens.
- Este ano tenho de conseguir fazer um boneco ainda maior. - Pensou com os seus botões.
Dito isto correu para o telefone e telefonou ao seu amigo Mocho.
- Tá lá! Mocho Quim? é o Musi... olha está a nevar! Vamos para a rua fazer um boneco de neve! Sim, como o do ano passado. Este ano vamos conseguir fazer um ainda maior.
Onde? no Carvalho perto do prado.... ok. Vou telefonar à Doninha Elisabete e ao Texugo Mário. Encontramo-nos lá daqui a meia-hora.
O musi cantarolava alegremente pela casa.
- Vou fazer um boneco! Vou fazer um boneco!
- Vê lá se te calas Musi. para além de me acordares cantas muito mal! - disse muito ensonada a Musa.
Musi nen ouviu e saíu porta fora muito apressado.
Quando o Musi chegou ao Carvalho já estavam lá todos os seus amigos.
- Olá malta! Trouxe uma cenoura, para fazermos o nariz e dois botões para os olhos. - disse o Musi.
- Olá Musi, que bom. Nós trouxemos um chapéu e um cachecol. - disseram os amigos
- Só falta arranjar com que fazer a boca! - disse o Musi
- Isso trouxe eu! - disse Musa
- Pensei que querias ficar na cama!! - disse o Musi muito espantado.
- Achas que perdia a oportunidade para fazer um boneco de neve? Nem pensar! - disse a Musa
- Que bom. Estamos cá todos. Vamos então começar! - disse o Musi
O Musi começou por fazer uma bola de neve bem pequenina. Depois com a ajuda da Musa, rebolaram a bola pequenina pelo chão e rapidamente se transformou numa enorme bola de neve.
O Mocho Quim, a Doninha Elisabete e o Texugo Mário fizeram o mesmo.
Seguia-se a parte mais difícil! Colocar as três enormes bolas umas em cima das outras.
Isso era tarefa para o Mocho Quim, pois era o único que conseguia voar.
O Mocho Quim com o seu voo certeiro e as suas fortes garras, empilhou as bolas de neve umas em cima das outras.
O boneco estava quase pronto, só faltava dar os retoques finais.
O Musi como era o mais leve trepou pelas bolas de neve e colocou o nariz de cenoura e os olhos de Botão. Seguiu-se o fio, que estampou um alegre sorriso na cara do Boneco de neve.
O Mocho Quim voou em direção à cabeça e colocou o chapéu. Depois voou em volta do boneco de neve e enrolou o cachecol em torno do pescoço.
Contentes os cinco amigos sentaram-se a contemplar aquela maravilhosa obra de arte.
- Conseguimos fazer um boneco de neve bem maior do que o ano passado. - disse o Musi
- E está muito mais bonito também! O do ano passado estava todo torto e derreteu logo. - disse o Texugo Mário.
- Que nome lhe damos? - perguntou a Musa
- O Barrigudo! porque tem três bolas. - sugeriu a Doninha Elisabete
Todos concordaram com o nome.
Estafados os cinco amigos regressaram às suas casas deixando o Barrigudo na companhia do velho carvalho.

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

A mesa da noite de consoada

- Porra!!! Este ano vocês estão muito mais pesadas - Disse a mesa da noite de consoada - Quase não me aguento em pé!
- Concordo contigo. Não há espaço para nada. Chega-te para lá. - Disse o rabugento queijo da serra para o prato de nozes
- O que é que estão a fazer aqui os pirosos dos salgadinhos? - disse a Aletria
- Pirosa és tu com esses fios de canela que mais parecem rugas. Já passaste à história ó amarelinha - Disse um arrebitado palito salgado
- Vá lá sejam educadas. Não quero confusões aqui na mesa. Afinal hoje é noite de consoada. - Disse o Bolo Rei.
- Parece que este ano foram convidados os maridos das filhas da dona Gertrudes. - disse uma Rabanada
- Então está tudo explicado. Como vai haver muita gente na casa, pimba, toca a encher-me com doçaria. - Gracejou a mesa da noite de consoada
- Não sei para que é que querem gelatina, mel e gomas. Retiram-me a atenção toda. - Disse a vaidosa Aletria
- Não sabes porque é que cá estamos? Então?!! É para sermos comidas, tal como tu! - Disse a Gelatina
- Então menina Gelatina! Não diga isso que é de muito mau gosto! - Disse o Bolo rei
- Acho que vi a filha mais nova da dona Gertrudes, a Beatriz, a rondar a mesa!- Alertou um figo seco.
- É verdade, também a vi ainda à bocado ao pé da porta da sala a olhar para nós! - Disse uma amêndoa
Todas doçuras da mesa ficaram alarmadas com aquele alerta. Tinham um medo terrível da menina Beatriz.
- Arre! Essa miúda é gulosa até dizer basta! - Disse uma rabanada.
- É capaz de nos comer a todas num abrir e fechar de olhos! - Disse a Aletria para o prato de gomas que estava ao lado.
- Calma meninas, o jantar de consoada ainda não começou e pelos vistos ainda vai demorar. - disse o Bolo Rei.
- Isso não interessa. O ano passado foi um verdadeiro massacre. Ainda não tinha começado o jantar e ela já tinham comido os sonhos todos. - disse um prato
- É verdade. Ela é uma autêntica devoradora de sonhos! - Disse a faca do queijo
Os sonhos tremeram ao ouvir aquele comentário!
- Ó não! Aí vem ela!! - Gritou assustada uma Noz
A Beatriz aproximou-se da mesa e arregalou os seus olhinhos de tão contente que estava.
Deu duas voltas à mesa para ver o posicionamento dos doces. A mesa tudo o que lea gostava, Rabanadas, Bolo Rei, Aletria, Queijo da serra, Amêndoas, Nozes, Gomas, Geleia, Tostas, Mel, Ovos Moles, e os seus preferidos os sonhos.... Então sem ninguém dar por nada. Chlép! comeu um e depois outro e outro e outro. Hummm! chlép
Um a um os sonhos foram sendo devorados pela menina Beatriz
E foi então que apareceu a dona Gertrudes!
- Beatriz, não podes comer os doces, ainda não começamos a consoar! Os doces são para o final da do jantar de consoada!
A Beatriz olhou para a mãe com o seu ar mais inocente e com a boca cheia de sonhos disse:
- Mas ó mãe eu só comi um pouquinho! - Respondeu como pode a Beatriz
A mãe na presença daquela figura lambuzada de açucar e canela desatou a rir.

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

O ratinho e o Pai Natal

Era uma vez um rato muito pequenino que vivia na casa do Pai Natal.
Era um ratinho muito pobre e como não tinha nenhum sitio para ir passava o tempo na casa do Pai Natal, escondido na sua toca, com medo que o descobrissem e o expulsassem para a rua.
Na noite de Natal a casa do Pai Natal estava uma barafunda.
Os Gnomos, embrulhavam os presentes com muita pressa, os Anões carregavam o trenó das renas com os presentes e as Renas não paravam de se queixar, pois estavam muito atrasadas e tinham de partir rapidamente para entregar dos presentes.
O ratinho estava à porta da sua toca e assistia a toda aquela inquietação.
As horas passaram e a casa do Pai Natal ficou vazia.
Todos tinham partido para entregar os presentes!
O ratinho, esperto como era, ao ver que a casa estava vazia, saiu da sua toca em busca de comida. Foi então que viu um enorme pedaço de queijo ao pé da lareira!
- Hummm que bom!!! E é logo queijo que é o que eu mais gosto! - disse o ratinho
Entretanto o ratinho ouviu alguém a chegar. Era o Pai Natal e os seus ajudantes que tinham regressado.
O ratinho, assustado, desatou a correr para sua toca com medo que o descobrissem.
- Pronto por hoje está feito. - disse o Pai Natal - Todos os meninos tem presentes nesta noite especial.
O ratinho, ao ouvir o Pai Natal disse com uma voz muito triste.
- Pois, todos tem presentes, menos eu!
- Oh! Oh! Oh! - riu-se o Pai Natal. Julgas que eu não sei que estás aí? Há já muito tempo que te vejo pequenino amigo. - disse o Pai Natal
- E vais espulsar-me de tua casa? - Perguntou muito assustado o ratinho
- É claro que não - disse o Pai Natal - Não faz mal nenhum em estares na minha casa. Até me fazes companhia.
Depois o Pai Natal vai ao bolso e tira uma pequena prenda e dá-a ao amigo rato.
- Vês como não me esqueci de ti. Toma o teu presente.
O rato ficou muito contente com o presente que o Pai Natal lhe deu. mais contente ficou por não ser expulso da casa do Pai Natal. A partir daquele dia, o ratimho, não teve mais medo que o de andar pela casa.
Até passou a ajudar o Pai Natal a embrulhar os presentes!

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

O Musi e o Pica-pau

A tarde estava calma e o regato corria tranquilamente em direcção ao dique onde o Musi tomava banho.
O Musi mergulhava profundamente nas águas do dique. Ele adorava petiscar os pequenos girinos que brincavam no fundo arenoso do regato.
Um certo dia o Musi ouviu um barulho esquisito.
- "Toc, Toc, Toc!" "Toc, Toc, Toc"
Curioso como era, rápidamente partiu pelo bosque para descobrir de onde vinha aquele som.
O Musi percebeu que o som vinha do alto de uma das árvores do bosque, que ficava bem perto da sua casa.
Só que como era muito pequenino não conseguia a ver o que fazia aquele som. Apenas via bocadinhos de madeira a cair ao chão.
- "O que é que faz este barulho" - comentou com os seus botões o pequeno Musi.
- "É um Pica-pau" - respondeu uma jovem coruja que estava num ramo de uma árvore.
- "Um pica-pau?onde? tás a vê-lo?" perguntou o Musi
- "Sim, está mesmo ali no alto daquele carvalho" disse a jovem coruja
E nisto fez um voo picado, agarrou o Musi com as suas garras e sem o magoar pousaram sobre o ramo de um carvalho. Dali via-se muito bem o que o Pica-pau estava a fazer.
-"Oh! porque é que o Pica-Pau está a bater com a cabeça na árvore? está chateado com a sua namorada?" - perguntou o Musi
- Não, está a construir o ninho onde vai viver durante o inverno! E usa o seu forte bico para abrir o buraco no tronco da árvore! - disse a jovem coruja
- "Ah, agora percebo de onde vem o barulho esquisito que ouvia." - exclamou o Musi
- "Olha, lá vem a sua namorada, vem ajudá-lo na construção do ninho. Vês como não estão chateados" - disse a jovem coruja
E ficaram os dois ali em cima da árvore a ver o jovem casal de pica-paus a construir o seu ninho.
E no final de tarde, quando os dois Pica-paus acabaram o seu ninho e o silêncio voltou ao bosque, a Coruja pegou no seu amigo Musaranho-de-água e levou-o de volta para casa.
- "Obrigado Coruja por me mostrares como é que o pica-pau faz o seu ninho." - disse o Musi
- "Não tens de quê, agora já sabes de onde vem o barulho. Não precisas de ficar preocupado" - disse a jovem coruja
E assim o Musi voltou para casa e contou à Musa a sua aventura.
- Não acredito, os Pica-Paus fazem o ninho dando cabeçadas nas árvores???" A Musa ficou espantadíssima

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

O Gato pingado (segunda versão)

Havia uma vez, num monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, duas aldeias isoladas de tudo. A aldeia, que ficava do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos tinha uma casa e uma eira muito grande. Nesta aldeia vivia uma velha que ficava sentada num banco de madeira o dia todo.
Na outra aldeia, que ficava do lado direito do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, havia só uma casa pequenina. Nesta casa vivia uma velha que gostava de visitar a sua amiga velha da aldeia do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
A Velha levantava-se bem cedinho todos os dias, quando o sol se preparava para tingir o céu escuro de amarelo e seguia pelo único caminho que existia no monte para visitar a velha da outra aldeia. Ao chegar à aldeia a velha sentava-se com a outra velha e juntas ficavam a cantar na eira da casa. E cantavam o dia todo. Cantavam melodias de tempos em que havia mais casas e mais aldeias no monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
E bem ao final da tarde quando o Sol tingia o céu azul de laranja as velhas paravam de cantar e voltavam para as suas casas.
Faziam isto todos os dias e apesar de serem as únicas habitantes das aldeias do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos, as velhas cantavam para os animais que lhes faziam companhia.
Todos os animais adoravam aquela cantoria e alguns passarinhos e outros animais mais afinados juntavam-se às velhas e ficavam ali a cantar o dia todo.
Até que um dia no carreiro que a velha percorria todos os dias apareceu um Gato!
A velha olhou para o Gato, este estava sentado em cima de uma pedra na margem do caminho. Era um Gato preto como a noite e tinha uma mancha branca na testa que parecia uma pinga!
- Que queres tu Gato? vai-te embora! - Disse-lhe a velha.
- Para onde vais? - perguntou o Gato
- Vou para a outra aldeia, estão à minha espera e já estou atrasada! Sai-te... não me faças perder tempo! - Disse a velha
- Posso ir contigo? - Disse o Gato
- Se quiseres vir podes vir! ninguém te impede.
E seguiram pelo caminho até à outra aldeia.
Ao chegarem à outra aldeia a velha juntou-se à outra velha e juntas começaram a cantar!
O Gato deitou-se no chão da eira e ficou ali a tarde toda a ouvir aquelas bonitas canções.
Quando o sol começou a tingir o céu azul de laranja as velhas pararam de cantar e preparavam-se para ir embora.
- Porque pararam? – perguntou o Gato
- Porque já é hora de ir embora! - disseram as velhas
- Podiam cantar também de noite. Não querem cantar também de noite? - perguntou o Gato.
- Queremos mas não podemos. Quando a noite vem temos que voltar para casa senão comem-nos a língua e depois não podemos cantar!
- E se eu não voltar para casa também me comem a língua? – perguntou o Gato
- Isso não sei. Porque não ficas cá fora para saberes? – disse-lhe a velha
E nisto pôs-se a caminhar pelo carreiro de volta para casa que ficava na aldeia do lado esquerdo do monte grande perdido no meio de montes mais pequenos.
Na manhã seguinte quando o sol se preparava para tingir o céu escuro de amarelo a velha fez-se ao caminho para a aldeia vizinha.
Pelo caminho encontrou novamente o Gato que estava sentado numa pedra.
- Então gato ainda aí estás? Sai-te da minha frente que já vou atrasada. – disse-lhe a velha.
E o gato não falou.
Desceu a pedra e seguiu a velha até à aldeia.
Ao chegar à eira da casa a velha disse ao gato.
- Então não falas? Não me digas que ficaste cá fora durante a noite e comeram-te a língua.
O gato não falou e em vez disso miou!
- Bem te disse que se ficasses cá fora iam-te comer a língua. Agora vais ter que saber onde está a tua língua!
O gato percebeu que sem língua não podia falar e que não o podiam entender!!
O gato miou outravês e foi-se embora.
Pensa-se que o gato ainda anda pelo monte grande perdido no meio de montes mais pequenos à procura da língua para poder falar com as velhas!

Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

O MENINO QUE QUERIA COMPRAR O CÉU! (Segunda versão)

Esta é a história do menino que queria comprar o Céu.
Era uma vez um menino que gostava de olhar para o céu e ver as nuvens e desfilar pelo céu azul. Gostava de ver os pássaros a esvoaçar e a chilrear mesmo por cima da sua cabeça enquanto inspirava o doce odor das flores.
O menino gostava de ver os desenhos que as nuvens faziam, ele via animais, castelos, princesas que o namoravam, de vez em quando ele via monstros que não lhe faziam mal.
Ficava até que a luz do sol apagasse todos os desenhos e até que os pássaros deixassem de cantar. Depois ia para casa e adormecia.
Um dia, o menino ouviu um enorme barulho!
VUUUUMMMMMMMMM!
Viu os pássaros no ar a esvoaçar e os desenhos que ele tanto gostava a ficarem..... Esborratados e destruídos!
Mas afinal quem é que faz isto?
O menino foi embora, triste por ter que ouvir aquele barulho, triste porque um fumo branco destruía os lindos desenhos que as nuvens faziam, triste porque os passarinhos já não cantavam lindas melodias no seu caminho para casa.
Não! Assim não pode ser.... - pensava ele.
"Haverá forma de acabar com este horrível barulho?"

VUMMMMMMMMM! E mais VUMMMMMMMMM!

Todos os dias o menino acordava com o enorme ruído, ia para escola sozinho pois os pássaros e os animais que o acompanhavam estavam escondidos com medo.
Os bonitos desenhos que as nuvens faziam apareciam todos destruídos....
O menino andava triste...
Mas quem é que faz isto?
Decidiu ver o que era. O menino sabia que todos os dias de manhã e ao final da tarde o enorme barulho que tudo destruía ouvia-se lá do alto.
Decidiu então que no final da escola ia até o campo esperar para ver o que fazia aquele barulho. Porque é que estragava os desenhos das nuvens que ele tanto gostava e porque é que assustava os seus amigos pássaros.
Esperou sob uma enorme Árvore. Esperou e tornou a esperar e eis que lá no alto, bem lá no alto, apareceu o que parecia ser um enorme pássaro e ...... VUMMMMMMMM! um enorme rasto branco destruiu as nuvens e os seus desenhos. VUMMMMMMM! O barulho ensurdecedor assustava todos os animais!
“Que enorme pássaro é este de que todos tem medo?” – perguntou o menino
E porque é que assustas e destróis tudo por onde passas? – Gritou-lhe o menino em voz alta -
"É um avião" - piou-lhe o mocho que estava mesmo por cima dele poisado num galho.
“Um Gavião!!!? Não, não é! Um gavião não faz mal a ninguém e todos os pássaros o conhecem e não lhe tem medo.” – respondeu o menino
“Não é um Gavião, é um AVIÃO!” – disse o mocho – “Uma enorme máquina inventada pelos homens para conseguirem Voar.... Assim como nós os pássaros."

O menino ficou a pensar não percebia porque é que os homens queriam voar em aviões!! Se eles quisessem voar que façam como ele e que peçam aos passarinhos!"
O menino também não percebia porque é que o avião estava sempre a assustar os seus amigos animais e porque é que o avião não o deixava ver os desenhos que as nuvens faziam!

Tinha de haver uma forma de voltar a ver os desenhos e a ouvir os passarinhos que tanto o divertiam.

"Já sei, vou falar com o dono do céu... Vou pedir-lhe.... Vou pedir-lhe para não deixar passar os aviões "
“E se ele não quiser.... se ele não quiser... eu... eu... eu compro o céu! E ponho as aviões a voar noutro sitio!

E assim, foi....

Subiu a montanha mais alta, que encontrou. E ao chegar ao ponto mais alto da montanha, bem lá no alto chamou o dono do céu!
"Ó dono do céu!! "
"Eu quero falar contigo!"

Por breves momentos não se ouviu mais nenhum som, nem o som dos passarinhos... nem o barulho dos aviões....

Depois de um breve momento ouviu-se:
"Que queres?"- respondeu uma nuvem
"És tu o dono do céu?" - perguntou o menino
"O dono do céu? Ahahahah, o que lhe queres?– perguntou outra nuvem
"Quero pedir-lhe para não deixar passar os aviões..... " - gritou-lhe o menino.
"Infelizmente esse pedido não pode ser realizado! Os aviões também são importantes. Fazem algumas pessoas felizes" - disseram-lhe os raios do Sol
“Podes ter razão, mas fazem muito barulho e assustam os meus amigos passarinhos e destroem os bonitos desenhos que as nuvens fazem!” – Respondeu o menino.

De novo o silêncio caiu sobre a montanha. Apenas a leve brisa bailava por cima do menino!
E ele ficou a olhar aquele bailado que o divertia!

Depois, como ninguém lhe respondia.... o menino tornou a gritar:
Sabem que se o céu não tem dono é porque ainda ninguém o comprou... por isso eu vou comprar o céu. E não vou deixar que os aviões passem!

De novo instalou-se o silêncio

"Se o céu tivesse dono deixaria de ser céu!" – respondeu-lhe a brisa

E logo depois, no azul do céu, castelos, dragões, e princesas tomaram novamente forma.
O menino ficou muito contente! Há já muito tempo que não via os desenhos das nuvens!

Depois surgiram os passarinhos que cantavam belas melodias.
Há já também muito tempo que o menino não ouvia os passarinhos a cantar!

O menino estava muito contente com aquele espectáculo.

Agora o menino já não se importava com o barulho dos aviões. Do cimo da montanha ele não os conseguia ouvir!

Percebeu que sempre que quisesse ver os desenhos das nuvens, ouvir os passarinhos a cantar, bastava ir até aquele lugar.
O menino ficou muito contente por existirem lugares como aquele, onde não se ouviam os aviões.

E então deitou-se a contemplar os lindos desenhos, a brisa que bailava mesmo por cima da sua cabeça....
Até que por fim, embalado pela melodia dos passarinhos o menino adormeceu!

Sábado, 9 de Outubro de 2010

Musi o Reboladeiro

O Sol iluminava todo o vale com os seus raios dourados e o canto dos passarinhos entoava por todo o vale.
Pelo ar uma leve brisa arrancava as folhas das árvores e deitava-as ao chão.
O Musi que era um musaranho d'água parecia brincar na água cristalina do Ribeiro! Rebolava pelas margens do ribeiro sob o olhar atento da Musa (uma linda musaranha), que da janela da toca lhe dava instruções - Mais rápido, mais rápido!
Nos últimos dias os treinos eram sempre assim. O Musi acordava e ia correr, depois ficava a rebolar pelas margens do ribeiro o resto da manhã.
Estava a treinar para o campeonato de "Rebola" que ia começar na próxima semana.
O Musi foi o campeão no ano passado e este ano também queria voltar a ganhar! Ele gostava muito deste desporto. Adorava rebolar pelas margens do ribeiro e mergulhar na água límpida do rio. E ele fazia-o muito depressa! Tão depressa que ficava muito tonto e todo sujo de lama.
O ano passado ficou à frente da segunda classificada a rela Pinchas que também é uma óptima reboladeira!

As bancadas estavam cheias para assistir ao campeonato de "Rebola". Todos os animais do vale estavam presentes e apoiavam os seus atletas favoritos.
O primeiro a rebolar era o caracol. O caracol demorou tanto tempo a começar que o árbrito decidiu iniciar a prova do segundo atleta o sapo parteiro Hernano.
O Hernano colocou-se na linha de partida e quando soou o apito do árbrito, deu um salto tão grande, tão grande que caiu directamente na água do ribeiro.
- É batota! É batota! Ele tem que fazer o percurso todo!! Gritava-se das bancadas.
O árbrito decidiu desclassificar o sapo parteiro Hernano por irregularidades.
Chamou o terceiro atleta o lagarto-dágua Bernardo.
Mal soou o apito do árbrito o lagarto de água Bernardo começou a correr pela pista, chegou ao ribeiro e rebolou margem abaixo até entrar na água.
Segundo o placard central o Lagarto-d'água Bernardo fez a prova em 15 segundos e 43 centésimas!
- Boa prova! - ouvia-se das bancadas.
O árbrito olhou para o caracol que ainda se estava a preparar para iniciar a sua prova!
A terceira atleta era a rela Pinchas. Uma das favoritas do público.
Ao apito do árbrito a Pinchas fez um arranque tão veloz que deixou para trás uma enorme nuvem de poeira! 10 segundos e 15 centésimas marcava o placard.
Um enorme Uauuu! ouviu-se das bancadas.
O árbrito assinalou um novo recorde de tempo no campeonato de Rebola!
O caracol estava a chegar à linha de partida quando o Musi começou a sua prova!
Ao soar o apito o Musi, ágil e pequeno como era, correu tão rápido tão rápido que ninguém o viu a passar! O publico só percebeu que o Musi tinha acabado a prova quando viram a água do ribeiro agitada.
A Musa gritava de contente nas bancadas e todos estavam espantados!
- Foi mais rápido do que a Pinchas. Nã Nã, a Pinchas é que foi mais rápida! - ouvia-se das bancadas.
Um enorme silêncio fez-se ouvir quando o placard mostrou o tempo do Toupas de 10 segundos e 15 centésimas. Exactamente o mesmo tempo que a rela Pinchas!
Nas bancadas discutia-se. Uns diziam que a Pinchas é que devia ganhar porque foi a primeira a fazer a prova. Outros diziam que o Musi é que era o campeão pois ele já tinha ganho o ano passado e também devia ganhar este ano. Outros diziam que se devia repetir o campeonato porque não podia haver dois vencedores de uma vez!
Instalou-se a barafunda nas bancadas. Todos discutiam!
Até que o árbrito decidiu quem seria o vencedor.
- Este ano vamos ter dois vencedores no campeonato de Rebola. A rela Pinchas e o musaranho d'água Musi porque fizeram o percurso no mesmo tempo. - disse o árbrito
Ouviu-se um murmúrio nas bancadas.
O Musi, como óptimo desportista que era, resolveu dar o campeonato à rela Pinchas. Ela é que merece o prémio - disse o Musi - Afinal de contas, ele já tinha ganho o ano passado e não precisava de ganhar dois anos seguidos!
E assim entregou a taça de campeão à rela Pinchas.
Nas bancadas ouviram-se vivas e urras!
Tinham encontrado um vencedor do campeonato de Rebola.
E o caracol?
No meio de toda esta confusão esqueceram-se do caracol na pista!!
O árbrito correu até à pista e não viu o caracol!! Foi até à margem também não o consegui ver! que é feito do caracol!?
Olhou em volta e lá ia ele ao fundo do caminho, lentamente a caminho horta!!!
Parece que a competição lhe fez fome!

Domingo, 15 de Agosto de 2010

A Formiga e a Cigarra

A cigarra canta alegre pelo caminho
os prazeres que a vida lhe traz
sem pensar
tal como o Barrabás.
A formiga segue pelo carreiro,
põe o seu trabalho em primeiro.
Encontram-se depois e conversam de coisas más.

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

O canto misterioso

Todas as noites ouvia o vento a empurrar o vidro da janela de casa, o bater de uma porta, um carro a passar, uma discussão mais acesa, a chuva forte a bater no telhado e um canto que me parecia ser de pássaro.
Não consegui durante noites deixar de escutar o canto! Melódico e constante que me embalava e acompanhava nos sonhos!
Até que um dia resolvi! Tenho de pôr fim a esta doce tormenta. Tenho de descobrir que canto misterioso é este!
Dei por mim na praia, a escutar o canto de uma linda sereia, que acompanhado por um coro de peixes, há já longos dias me chamava!
Vem viver comigo! vem provar do meu amor e serás eternamente feliz! - Cantava docemente a sereia.
Sem hesitar entrei no mar, fez-se o silêncio.
Procurei a sereia mas já não escutava o seu canto, apenas o soar das ondas a trepar pela areia!
Despertei com um doce beijo!
Fundido por tamanho amor não mais voltei!

O velho!

Era uma vez um velho que não sabia o que era o mar!
Ouvira dizer uma vez, quando ainda era moçoilo, por um amigo que passara na terra, que o mar era feito de água salgada e era tão grande que ocupava mais de metade da Terra.
O velho não quis acreditar. Se fosse assim tão grande porque é que ele nunca o tinha visto? E se era feito de tanta água porque é que ela não chega até à terra? Já que a água que tem não chega para regar as plantações de batatas e de trigo.
O mar para o velho até podia existir mas não era assim tão grande como o amigo que passara na terra dissera!
Com o passar do tempo o velho mudou a sua opinião acerca do mar. Até porque, diziam-lhe, as sardinhas que ele comia no verão eram apanhadas no mar por pescadores em cima de barcos a motor. Talvez fosse verdade porque ele nunca tinha visto sardinhas nas matas da lá terra!!
Agora aquilo dos barcos a motor com pescadores lá dentro é que já era mais difícil de perceber! Para ele tudo o que tem motor tem rodas e um cano de escape a deitar fumo!!
Até que um dia o velho foi ver o mar. Partiu numa excursão!
Finalmente ia ver se o mar existia!
De volta à terra o velho dizia maravilhas do mar.
Parece a presa lá da terra, só que maior e com mais água. Água ora azul, ora verde, que vai e vem, vá-se lá saber porquê e salgada como o diacho!! O que ele achava mais esquisito eram os carneiros a rebolar em cima da água! E os barcos a motor com pescadores lá dentro existiam realmente !
Agora que o mar ocupa mais de metade da terra isso é que é mentira!O velho dizia que o mar ocupa pouco mais do que dois ou três campos de trigo!Para o velho o mar tinha um fim. E esse era mesmo ali à frente dos seus olhos.

Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

O Gato pingado

Na aldeia abandonada da serra do Pernão, que fica do lado esquerdo da encosta da serra, quando se está de frente para o Sol e este está a nascer, morava uma velha.
Esta velha tinha por hábito caminhar em direcção à outra aldeia abandonada da encosta da serra do Pernão que fica do lado direito da serra quando se está de frente para o Sol e quando este está a nascer.
A Velha levantava-se bem cedinho todos os dias de manhã e seguia pelo único carreiro que existia na Serra em direcção à aldeia vizinha. Ao chegar à aldeia a velha juntava-se com outra velha e juntas ficavam a cantar. Cantavam o dia todo!
E quando o Sol tingia o céu azul de rosa as velhas paravam de cantar e regressavam a casa.
Faziam isto todos os dias e apesar de serem as únicas habitantes das aldeias da encosta da serra do Pernão, as velhas cantavam para os animais que lhes faziam companhia.
Todos os animais adoravam aquela cantoria e alguns passarinhos e outros animais mais afinados juntavam-se às velhas e ficavam ali a cantar o dia todo.
Até que um dia no carreiro que a velha percorria todos os dias apareceu um Gato!
A velha olhou para o Gato, este estava sentado em cima de uma pedra na margem do caminho. Era um Gato Branco como a neve e tinha uma mancha negra na testa que parecia uma pinga!
- Que queres tu Gato? vai-te embora! - Disse-lhe a velha.
- Para onde vais? - perguntou o Gato
- Vou para a outra aldeia, estão à minha espera e já estou atrasada! Sai-te... não me faças perder tempo! - Disse a velha
- Posso ir contigo? - Disse o Gato
- Se quiseres vir podes vir! ninguém te impede.
E seguiram pelo caminho até à outra aldeia.
Ao chegarem à outra aldeia a velha juntou-se à outra velha e juntas começaram a cantar!
O Gato sentou-se na soleira da porta e ficou ali a tarde toda a ouvir.
Quando o sol começou a tingir o céu azul de rosa as velhas pararam de cantar e preparavam-se para ir embora.
- Porque pararam? - disse o Gato
- Porque já é hora de ir embora! - disseram as velhas
- Podiam cantar também de noite. não querem cantar também de noite? - perguntou o Gato.
- Queremos mas não podemos. Só fomos feitas para cantar durante o dia - disseram as velhas
- Então vou transformar-vos em Dejays. Assim também podem cantar de noite - disse o Gato
E foi graças ao Gato, que os animais das aldeias abandonadas na encosta da serra do Pernão passaram a ouvir música durante o dia e também durante a noite.

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Hoje vi uma centopeia a fugir a sete pés!

Estava eu preso numa teia
a debater-me com a vontade
de quem não queria ser
parte de um repasto de abade,
quando com pernas velozes uma centopeia
quis libertar-me pra não me ver na ceia
de uma aranha já de idade.

Então eis que uma gorducha
e amarelenta aranha
se lança sobre os dois petiscos.
A aranha e a centopeia no jogo da apanha
E eu enrredado e a esbracejar
até me conseguir libertar
e aterrar num chão de lenha.

Rebuçados

Todos deviam ter rebuçados para comer. Comer rebuçados é tão importante que devia fazer parte da vida dos mais comuns mortais.
Um rebuçado é capaz de alegrar a face de muitos tristonhos que por este mundo se arrastam. A mim por exemplo! Quando como um rebuçado fico logo com um sorriso na face! Daqueles sorrisos incontroláveis perante tamanha lambarice.
Um rebuçado é também capaz de, depois de lentamente se derreter com a saliva, deixar muitos a pensar nele o resto do dia. A mim por exemplo! Quando como um rebuçado fico saborosamente contente pois gosto do denso e açucarado paladar, deixado pelo rebuçado, cada vez que degluto.
Contudo, os dentistas, que não gostam nada de rebuçados, dizem que comer rebuçados faz criar cáries e que os dentes acabam depois por cair, se não forem devidamente tratados.
Também o que é que isso importa! Não é preciso dentes para comer rebuçados....

Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Um catavento!

Não sei porquê mas todos os anos por esta altura a professora de ciências da minha escola vem sempre com a história de que hoje nos podemos portar mal.
É sempre a mesma coisa!
E todos os anos o Pedrinho desata a bater em toda a gente que vê... é mesmo chavalo o idiota!
Começou logo pela manhã a levantar as saias à Elisabete! ela correu a queixar-se à professora e ainda por cima levou um tabefe.
Depois foi a vez da Rita ser insultada! chamou-a de gorda e começou a dizer em voz alta que as cuecas dela eram feitas por encomenda porque não havia tamanho que lhe servisse!
E ninguém fez nada!
Depois virou-se para mim o estúpido... queria virar-me ao contrário para ver se eu tinha moedas nos bolsos. Não teve muita sorte!
Esvaziei os bolsos mesmo à frente dele e atirei-lhe com os meus bonecos do Naruto àquelas fuças! e depois fugi!
Não sei porque é que fazem isto! Podiam fazer todos como a minha professora de artes, que nos ensina a fazer coisas interessantes, como um catavento!
Isso sim é que é interessante! Fartei-me de correr no caminho para casa!
E nem a mochila que às vezes pesa como o diacho me pareceu atrapalhar desta vez! até dava mais lanço nas descidas para o catavento girar mais depressa!
Era ver o catavento a girar.
Terrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Rouxinois à conversa

Nos tempos que correm a crise serve-se todos os dias.Quentinha em pratos de barro com talheres de chumbo e em mesas esburacadas pelo caruncho.
Não há humano nenhum neste fétido lugar que não deixe cair lágrimas purulentas. Lamurias condescendentes que contaminam a vida de problemáticos dilemas.
A crise é para se viver largando tudo o resto e dedicando-se a ela.
O contágio é evidente.
Até os outros, os que perigosamente coabitam com esta espécie deprimentemente mortal lançam no ar os seus cantos preocupação .

- Esta crise veio para durar! Não achas?
- É verdade!A precariedade não escolhe géneros.
- Onde cai, abala mesmo.
- Olha vê tu que ainda no outro dia passei no bar do Pica....
- Nem se reconhece, também passei por lá ontem.
- Há uns anos atrás nem se punha lá o pé a esta hora.
- Pois era, sempre cheio! andorinhas, poupas, cotovias, melros, rouxinóis, rolas, pombos, todos juntos. O pica ficava louco, não tinhas asas a medir.
- Aquilo é que eram tempos! Pedíamos sempre um pires de larvas e dava para a noite toda.
- Belos tempos. sem dinheiro fazíamos a festa toda!
- E depois para terminar vinham os pardais a criar algazarra. O bar fechava sempre com o cabo mocho a prender dois ou três.
- E lembras-te da Poupa?!
- Ui!! que passarinha.
- Agora tá casada com um andorinhão! um passarão que trabalha no estrangeiro. Bom pássaro, só que lá está, a crise deslocaliza muita gente. Há muitos ninhos defeitos por causa desta crise.
- É verdade, ora vê-se lá, ter que ir trabalhar para outro país.
- Hoje já ninguém anda à vontade como dantes. Fecham-se todos nos ninhos e não querem saber de mais nada. É só trabalho e poupar! trabalho e poupar.
- E comer também.
- Por falar em comer!Ontem refastelei-me. Comi uma minhoca que estava mesmo à vista num montinho de terra e depois mesmo ali ao lado um escaravelho e depois uma aranha.
- Pois também eu. lembras-te onde estava aquela velha máquina de lavar a louça?
- Sim.
- Agora já lá não está. Tiraram-na ontem. E mesmo por baixo estava um ninho de cobras!
- Pois eu sei que moravam lá. Via sempre a águia cobreira a pairar por lá à espera de alguma que saísse.
- Olha que deve ter enchido bem o papo pois nesse dia comeu-as todas!
- Depois disso fui eu até lá e ainda comi umas larvas e uns escaravelhos.
- Ultimamente só me aparece disto! É larvas, escaravelhos, minhocas e até salamandras!
- Os humanos estiveram a limpar a floresta. Ontem vi uns poucos a tirar ferro, plásticos e vidro.
- Hum! então é por isso que há tanta comida e tão deliciosa à vista!
- Até faz esquecer a crise!
- Já não temos que procurar tanto para encher os papos!
-Não há crise que dure para sempre.


Domingo, 18 de Abril de 2010

Quando a máquina de chiclas deixou de ter chiclas!

A loja da tia Tina vendia de tudo!Pelo menos tudo o que precisava de comprar encontrava sempre lá.
Aquele móvel de prateleiras estendidas ao longo da parede por trás do balcão de madeira de carvalho gasto pelo movimento das despesas mensais das gentes da minha aldeia guardava um mundo de surpresas.
- Ó tia Tina tem cadernos para escrever?
E lá vinha a tia Tina com um bonitinho caderninho de duas linhas com o Silvestre e o Piú Piú na capa!
Desenrascava-me sempre!!
Só que eu ia lá não para limpar as prateleiras das raridades.
Eu propositadamente deslocava-me todos os dias àquela loja para ver a máquina de chiclas.
A linda máquina de chiclas. Lá estava ela no topo do balcão, com a sua cúpula em vidro redonda meia cheia de chiclas de todas as cores. Aquela cintura quadrada de um vermelho metalizado dava um outro brilho à loja! e o conteúdo deixava-me doido de desejo.
Pegava na moeda reservada, introduzia no orifício cinzento metalizado e rodava o manípulo.
Depois lambuzava-me com aquela saborosa chicla colorida!
- O menino é cá um lambareiro! - dizia-me a tia Tina - Ainda lhe caem os dentes.
- Não caem nada. eu lavo-os todos os dias.
- Este menino vem cá todos os dias! Tira-me sempre uma chicla da máquina! comentava a tia Tina
- Se fosse a si não as comia! devem estar fora de prazo! - Disse-me o tio Jorge!
- Olhe que não estão! são bem boas! dizia eu a sorrir
Todos os dias tirava uma chicla. todos os dias via a bonita máquina de chiclas ficar mais vazia!
Até que um dia a máquina encravou!
Rodei e rodei o manipulo! e nada! a chicla não saía.
- Deve estar estragada! não meta mais nenhuma moeda. avisou-me a tia Tina
- Não meto não! veja lá se manda arranjar a máquina!
- Ah! vá lá saber agora quando vem o técnico!
Fiquei desolado!
A máquina de chiclas deixou de me dar chiclas! Era como se a máquina das chiclas não tivesse mais chiclas apesar de elas estarem ali na linda cúpula redonda de vidro, inúteis porque não as conseguia tirar!
Durante o dia todo não consegui trabalhar!
Tinha mau hálito e faltava-me algo!
No dia seguinte a mesma coisa! mais uma moeda para o galheiro! a máquina continuava avariada. E as chiclas coloridas a estimularem as minhas glândulas salivares!
E mais um dia que passei a desejar uma chicla.
Andei assim a semana inteira! A desejar chiclas, e aborrecido porque não as conseguia tirar daquela máquina!
Passado um mês, sem chiclas, reparei que as muitas espinhas que tinha pela cara deixaram de brotar!
- Devia ser das chiclas. - pensei eu! O tio Jorge tinha razão. As chiclas esburacavam-me a testa toda!
Fiquei com a pele muito mais bonita! Andava sem dúvida muito mais contente e reparava que as minhas colegas de trabalho olhavam mais para mim!

Passado dois meses tive de ir à loja!
- Ó menino! olhe que a máquina esta arranjada! já podes comprar chiclas. - Disse a tia Tina!
- O que a tia Tina me foi dizer! - disse eu
Fui ao bolso tirei uma moeda metia-a no orificio e zás! rodei o lindo manipulo cinza!
- Ó tia Tina, chlép, que saudades, chlép, tinha eu destas chiclas , chlép!
- É tão lambareiro este menino! - Comentava a Tia Tina!
E assim voltei a tirar diariamente a minha chicla da máquina de chiclas!
E escusado será dizer que passei a andar com a cara esburacada das espinhas que me nasceram!
Já foi muito bom aqueles dois meses de pele suave e fina! agora volto novamente à minha espinhosa e oleosa testa!
E também com a boca mais doce Chlép!

Domingo, 7 de Março de 2010

A história do Mingo!

O Mingo era um bonito flamingo. Daqueles com uma penugem cor-de-rosa claro, com um bico grosso brilhante e curvo e com um esbelto pescoço também cor-de-rosa.
Chamava-se Mingo porque o seu pai o Flamingo macho e a sua mãe a Flaminga fêmea não queriam que houvesse mais um flamingo na Lagoa.
Já viram a confusão que seria quando chegasse o correio à lagoa e perguntasse pelo sr. Flamingo? Haviam de chegar logo 3 ou mais Flamingos para receber a carta!
Assim o Mingo vivia feliz por ser único naquela lagoa.
O Mingo apesar de jovem, era uma ave muito viajada.
Aliás ele gostava muito de viajar! já tinha vivido em quase todas as lagoas do continente e tinha passado por inúmeros territórios. A lagoa que ele mais gostava era a lagoa do alto do céu!
Uma enorme lagoa no sopé de uma montanha tão alta, tão alta que o cimo furava as nuvens.
"De tempos em tempos a montanha treme e sopra umas nuvens muito cinzentas" contava-me o Mingo.
Todos os anos ele viajava da selva para as lagoas do sul onde passava o verão a comer algas e lodo! Depois quando começava a fazer frio regressava para a selva onde ficava até que as saudades da lagoa o fizessem regressar de novo.
Ele adorava lodo, era o seu petisco favorito. Gostava de estar com a cabeça na água e mergulhar o seu enorme bico curvado e comer o lodo do fundo da lagoa.
"Quanto mais fundo melhor, o lodo é mais docinho!" dizia o Mingo.
E assim passava as suas tardes a comer lodo da lagoa da montanha do alto céu.
E quando estava cheio dobrava o seu longo pescoço sobre o corpo e enroscava o bico debaixo das asas, levantava a pata esquerda e dormia embalado pelo silêncio que pairava na montanha do alto dos céus!

Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

A minha folha!!

Numa tarde fria e ventosa uma pequena folha colou-se à janela.
Quisera eu estar ali a olhar o horizonte cinzento quando a folha se colou à janela.
Não era uma folha qualquer! era uma folha amarela daquelas que já não se vêem muito nos dias de hoje.
Abri a janela e rapidamente entraram muitas gotas e também a folha que se colou à janela.
Decidi apropriar-me da folha que se colou à janela.
E a partir daí chamei-lhe a minha folha que se colou à janela que também é minha.
A principio acho que a minha folha que se colou à janela que também é minha gostava de se colar pois rapidamente se colou à mesa que também é minha.
A partir daí vi que colar é muito bom... é um querer fazer parte de onde não fazemos parte.
Fiquei a olhar para a minha folha que se colou à janela que também era minha e que estava agora colada na mesa que também é minha durante muito tempo.
E reparei que a minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e que agora estava colada na mesa que também era minha minha olhou também para mim.
A partir daí vi que olhar é muito bom.... é um querer perceber o que temos pela frente dando a conhecer o que está a trás.
Depois peguei na minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e decidi pendurá-la para que se sentisse em casa, pois sei que as folhas gostam de estar penduradas nos ramos das árvores.
"Onde?!"
Decidi pendurar a minha folha que se tinha colado na janela que também é minha no candeeiro que é meu do quarto que também é meu.
E a folha caiu!!
Deve ser porque a minha folha que se colou na janela que também é minha é uma folha amarela, e as folhas amarelas gostam de estar coladas em vez de estar penduradas.
Peguei na minha folha que se tinha colado na janela que também era minha e tentei colá-la na parede.
Só que a folha caiu!
Tentei colar a minha folha que se tinha colado na janela que também é minha por toda a casa que também é minha.
Só que a folha caía sempre!
Deve ser porque a folha quer estar num sitio que não seja meu. Se calhar a folha não quer ser minha!
Então abri novamente a janela e deixei que o vento desta vez levasse a folha que foi minha e que agora já não é.
E fiquei a ver, pela janela que é minha, o vento levar a folha amarela que já foi minha pelo horizonte que não é meu.

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

As duas postas! (parte Três)

Tenho de arranjar emprego! É a única forma de conseguir pagar o leilão!
Se arranjar um emprego que me dê uns cobres.. vou conseguir tirar a posta Zorra e a posta Zita do posto dos correios e da companhia daquela seca funcionária! - Comentei para os meus botões

O tempo passava, lento, até que encontrei um emprego num hotel. Na secção da lavandaria.
O trabalho era bem chato, tinha de engomar dúzias de lençóis brancos por dia. por cada lençol engomado recebia 20 cêntimos. Quantos mais engomasse mais recebia!
Se não fosse a minha pressa em fazer dinheiro teria denunciado ao ministério do Trabalho esta exploração....

Até tinha jeito para engomar lençóis!
Com o ferro quente para cima e para baixo!Pfff! Xííí!! Pfff!! Xííí!! O vapor quente que subia acariciando a cara! Depois dobrava o lençol ao meio, e tornava a engomar. Pfff!! Xííí!!
Dobrava outra vez, engomava novamente!Dobrava outra vez, engomava novamente!Dobrava outra vez, engomava novamente! Pfff!! Xiii!
e sempre assim até ficar na forma de um rectângulo!
depois pegava na minha obra prima, e levava para uma prateleira e... Plimm! 20 cêntimos no bolso.
Cheguei a queimar uns poucos de lençóis e quase que era despedido!
Ó dona o ferro tá muito quente - dizia eu à minha supervisora!

Estive então dois meses a engomar lençóis brancos... 50 euros que consegui juntar!
Não havia maneira de conseguir dinheiro suficiente para pagar o leilão!

Até que um dia o carteiro bateu na minha porta:
- Tem aqui um embrulho para o senhor!
- A Posta Zorra e a Posta Zita!
- não tenho de pagar nada? - disse eu!
- Não, esta encomenda estava já há muito tempo na prateleira. Confirmei a morada e é aqui mesmo. Sabe é que eu sou carteiro novo por aqui e ainda tenho alguma dificuldade na entrega da correspondência!

Eu calei-me! Aceitei a encomenda fechei a porta, esperei!
espreitei pela janela e o carteiro ir embora!

Iupiii! amigas Posta Zorra e Posta Zita. que bom que as tenho comigo! finalmente posso estar com voçês.
- Já era sem tempo! estava a ver que nunca mais pagavas o imposto! Forreta.... onde já se viu deixar assim duas amigas por causa de dinheiro. dizia a posta Zorra
- Posta Zorra não sejas indelicada. Não havia dinheiro para pagar... agora já estamos aqui todos juntos e felizes. não há problema!
- Amigas eu não paguei nada! o carteiro era novo e entregou a caixa por engano! nem devia saber que estava para leilão. Viu a caixa lá há muito tempo e resolveu entrega-la!
Agora a seca senhora funcionária deve estar a torcer-se de irritação! ehehe

- És mesmo um forreta.. e o que vais fazer ao dinheiro? - disse a posta Zorra
- Oh não é da tua conta - disse a Posta Zita!
- Humm, vamos comprar comida e fazer um enorme jantar para comemorar!
- E uma garrafa de vinho para beber à conta da seca senhora funcionária! - disse a posta Zita!

As duas postas! (parte Dois)

A viagem teve a duração de 6 meses. Fiquei em casa de uns amigos e isso possibilitou-me poupar uns cobres valentes!
A casa era bem porreira. Tinha três quartos e uma casa de banho, uma sala de estar com um mini-bar que rápidamente ficou vazio.Uma pequena cozinha com um micr- ondas, fogão e um frigorífico. Que não tinha comparação com o meu.. aliás sempre que olhava para ele dava-me uma enorme saudade das minhas duas amigas postas de bacalhau.
O que estariam as minhas duas amigas postas de bacalhau a fazer! Sozinhas num frigorífico vazio. Imaginei a posta Zorra sempre a barafustar com a posta Zita. E a posta Zita a responder dócil e pacientemente.
Bem por entre saudades fui aproveitando o que era me oferecido nesta viagem.
Até que um dia recebi uma nota. Para espanto meu tinha que me dirigir aos posto dos correios para levantar uma encomenda!
- Senhor tenha a gentileza de dizer ao que vem? - disse a funcionária
- Tenho esta nota. E é para levantar uma encomenda. - respondi
- Muito bem, tenha a gentileza de aguardar enquanto recolho a sua encomenda.

Esperei não suspeitando o que seria a encomenda, nem quem a teria enviado!
- O número 345 ao balcão 3 por gentileza?
- Sou eu!
- Aqui está a sua encomenda senhor!
- O que é? - perguntei ansiosamente
- Er... são duas postas de bacalhau. Uma Zita e outra Zorra! - disse muito secamente a funcionária enquanto olhava a encomenda.

As minhas amigas postas de bacalhau! a posta Zita e a posta Zorra! Fizeram-me uma visita! Embalaram-se e vieram até mim! não posso acreditar!

- Rápido tira-nos daqui! já não posso mais com esta caixa... é escura e dura que se farta! - gritava de dentro da caixa a posta Zorra!
- Olá seu malandrinho! abre lá a caixa... estou doida por te ver! - dizia a posta Zita.
- Que bom que vieram! estava com saudades vossas... Postas loucas como vocês não existem em oceano algum!

Os olhos brilhavam de emoção e o meu coração pulava de tanta alegria. Não podia acreditar que ia ter por companhia novamente as minhas duas amigas postas de bacalhau! A alegria do me frigorífico.

- Senhor por gentileza terá de desembolsar 500E para levantar a encomenda!
- Como!? desembolsar 500E? qual é a bolsa que tem 500E?
- Senhor terá de pagar 500E relativos ao imposto alfandegário, ao imposto federal e ao imposto estatal respectivamente.
- Onde já se viu isto!? impostos por duas postas de bacalhau? e logo 500E....
- Então pá. Paga lá isso e tira-nos daqui! - Dizia a posta Zorra

Pagar!! como? não tenho 500E. todo o dinheiro que tenho não chega a isso!

- Vão ter que voltar para trás amigas postas de bacalhau! não tenho como pagar estes impostos!
- Forreta! tens dinheiro sim senhor... paga lá os impostos! - dizia a posta Zorra.
- Não tenho não! E o que acontece se não levantar a encomenda? - perguntei
- Se o senhor por gentileza não levantar a encomenda esta ficará retida na alfandega onde posteriormente será leiloada pelo melhor preço!

É isso mesmo que vou fazer, as minhas amigas postas de bacalhau terão de se aguentar um pouco mais na caixa e depois compro em leilão por um preço muito mais baixo!

- Ouviram amigas postas de bacalhau! aguentem-se aí um pouquinho mais que logo logo as venho buscar. - sussurrei eu para dentro da caixa
- Isto é um roubo! fique lá com a caixa... imagine agora pagar 500E de imposto por duas postas de bacalhau. coma-as você sua extorquidora - retorqui para a funcionária.
e segui para casa convencido que teria dinheiro para pagar o leilão e finalmente tirar as minhas amigas postas de bacalhau de tamanha situação embaraçosa.

Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

As duas postas! (parte Um)

A história de duas amigas minhas que decidiram fazer-me uma visita!

As minhas amigas são duas amigas muito especiais, são duas postas de bacalhau, muito divertidas e engraçadas, e com as quais passo longas horas a conversar.
Conhecia-as numa noite de natal!
Uma noite fria, sem prendas de natal, de prato branco com um fio de azeite a regar uma batata cozida e as minhas duas amigas postas de bacalhau.
Na verdade, elas não são duas postas de bacalhau normais as minhas amigas postas de bacalhau! Elas são bem diferentes.
A mais grossa e insossa e que está sempre descontente com alguma coisa, chama-se posta Zorra, e foi tirada do costado do bacalhau!
A outra mais fina e meiga, mostrava sempre um sorriso a todos chama-se posta Zita, e é um bonito rabo de Bacalhau!

Decidi que essa noite ia ser diferente.
Ia deixar de comer bacalhau e guardar a amizade daquelas duas postas de bacalhau no meu frigorífico.

Afinal não é todos os dias que se tem duas postas de bacalhau a alegrar o frigorífico!
E confesso, já há muito que não via o meu figorífico tão limpo, tão cheio e tão bonito como agora!
Tudo mudou desde que as duas postas chegaram!

A posta Zita, muito calma e alegre, conversava com todos os alimentos, e sempre que algo não estava bem, falava comigo!
Há um tomate que precisa de ser comido pois está a ficar com bolor. Há um iogurte que morre amanhã... tens que o comer!tens duas fêveras que querem ser cozinhados com os alhos! tens que comprar alhos! dizia-me ela ao ouvido.

A posta Zorra, era bem diferente!
Desde que ali chegou, rapidamente ordenou e distribuiu todos os alimentos.
Aqui mando eu! - dizia ela- Eu quero na gaveta de baixo os legumes e a carne no congelador!
Os pacotes de leite e da manteiga têem que se tapar muito bem para não entornar. E os ovos quero-vos todos ordenados e bem juntinhos a ocupar os lugares devidos! nada de saltear.
E no sábado faremos uma limpeza geral ao frigorífico! entenderam?
E aí lá fazia eu uma enorme jantarada esvaziando e limpando o frigorífico.
No dia seguinte enchia novamente o frigorífico com novos alimentos, e toda o processo se repetia, de forma harmoniosa e equilibrada!

Tudo corria bem com o meu frigorífico e as minhas duas amigas postas de bacalhau! a posta Zorra e a posta Zita.

Decidi fazer uma viagem para arejar ideias!
Uma daquelas vontades de conhecer novos lugares e novas pessoas. Aprender coisas diferentes e trocar pontos de vista!
Dei a noticia às minhas amigas postas de bacalhau, a posta Zorra e a posta Zita.

Que bom , vai ser muito bom para ti, espero que encontres o que procuras - disse-me a posta Zita. - vou contar aos outros!
Que raios... - disse a posta Zorra - e logo agora que tens o frigorífico cheio. Como é que vamos fazer ? hem!? e o leite? Tinhas que viajar agora... tanta coisa para fazer aqui! mas vai lá e não e preocupes que aqui nos arranjamos!

E por entre avisos, carinhos e despedidas parti em viagem deixando o frigorífico, vazio, à guarda das minhas duas amigas postas de bacalhau a posta Zita e a posta Zorra!

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

O Toupas trata da água!

O sol levantou-se bem quentinho e aquecia todos os animais.Pelo ar as borboletas voavam de flor em flor.

A gota de orvalho desliza sobre a folha de um choupo caindo na Terra!

- Plim!

- Ui! Está a chover, vamos nos abrigar Topilde! - Disse o Toupas.

- São só as gotas de orvalho. Caem sempre pela manha. Volta dormir Toupas, ainda é muito cedo!– Disse ensonada a Topilde.

- Humm, está bem.

- Depois deste banho vou mas é apanhar umas bagas para o pequeno almoço. - murmurou o Toupas.

Nisto algo prendeu a atenção do Toupas.

- Ai que estou preso! Ajudem-me! Ajudem-me! – ouvia-se ao longe.

O Toupas e a Toupilde rapidamente correram em direcção à voz que se ouvia ao longe!

- Alí Toupas, no lago, aquele pato está preso naquele velho pneu!

O Toupas que é um excelente nadador, mergulhou na água, libertou o Pato do velho pneu e puxou-o para terra.

Os animais que se juntaram nas margens da lagoa para ver o salvamento, batiam palmas ao Toupas o herói do dia!

- Muito obrigado pequeno amigo!

- Olá pato, o meu nome é Toupas e sou uma toupeira de água.O importante é que estejas bem!

- Eu sou o marreco Jiro e não sou um pato. Os patos são maiores e não são tão bonitos como eu! – disse o Jiro

- Está bem, não te irrites! Não sabia. – disse o Toupas

- E o que fazes aqui nesta lagoa tão suja? – perguntou a Toupilde.

- Eu sou uma ave migratória. Estou sempre a viajar pelo mundo para encontrar lugares quentinhos. E resolvi parar nesta lagoa para descansar um bocadinho. E quando mergulhava, fiquei preso neste velho pneu.

- É verdade, eu vi-o chegar ontem! - Disse a galinha d’água.

- Esta lagoa está muito poluída. O Homem faz dela uma lixeira! Já não se pode viver aqui! Disse o morcego de água.

- E a água está tão suja que não consigo ver nada debaixo de água! – queixou-se o cágado

- Então porque não limpam a lagoa? – disse o Toupas

- Isso é uma boa idéia. – disse o marreco Jiro

- E depois o que fazemos ao lixo? – perguntou a galinha

- Juntam o lixo e levam-no até ao Homem.O lixo é do Homem e ele deve tratar dele! – disse a Toupilde.

E assim os habitantes daquela lagoa decidiram, com a ajuda do Toupas e da Toupilde recolher todo o lixo e levá-lo até ao Homem.

O sapo parteiro carregava o lixo nas costas tal e qual um camião. O cágado rebocava pneus, botas pela água. A galinha d’água e o marreco Jiro recolhiam o lixo por entre as árvores e os caniços. Todos os animais que moravam na lagoa limpavam a lagoa.

Ao final do dia, os habitantes da lagoa, tinham já um enorme monte de lixo.

- Nem sei como é que havia tanto lixo na lagoa. Agora está bem bonita – disse o marreco Jiro.

- Que enorme monte de lixo! Vamos chamá-lo o monstro de lixo! – disse a galinha de água

- Mas a água continua muito suja. - Disse o cágado

- Temos de esperar que o lagoa encha de novo com água limpa. A chuva e água dos riachos também irão ajudar a limpar a água! - disse o marreco Jiro

- Está bem então. Amanha levamos o “monstro de lixo” ao homem. E ele que trate dele! – disse a Toupilde.

No dia seguinte os habitantes da lagoa, com a ajuda do Toupas e da Toupilde levaram o monstro de lixo à presença dos Homens.

- Senhor Homem recolhemos este monte de lixo na lagoa. Viemos entregá-lo, pois saberá o que fazer com ele. - Disse o Toupas

- O lixo é seu, e não queremos que polua mais a lagoa!Já nos basta viver com a água suja pelos seus esgotos. – disse a galinha d’água.

- Amigos tem razão, basta de poluição!Obrigado por recolherem o lixo, irei tratar dele como deve ser. E quanto à água vou construir uma estação de tratamento para que a água saia limpa e transparente. – disse o Homem

- IUPííí´! – gritaram felizes os habitantes da lagoa.

- Obrigado Toupas, graças a ti temos de novo a nossa lagoa limpa e bonita! – disse a galinha d’água

- Ora, todos ajudamos! Todos limpamos a lagoa....

E assim o Toupas e a Toupilde deixaram os amigos da lagoa e seguiram felizes a sua viagem.

- Toupilde não tens fome? Tenho umas bagas que colhi hoje pela manha... queres uma? – disse o Toupas

- Oh Toupas, és um amor.... o meu amor!