Os ramos das árvores da floresta bambaleavam ao sabor do vento e as folhas trinavam serenas melodias. Aqui e ali raios de sol penetravam a densa ramagem das árvores e iluminavam o solo coberto de folhas castanhas e quebradiças. Na margem do rio, Musi, olhava a água límpida e cristalina. Queria mergulhar e chafurdar o lodo em busca de larvas para o jantar, só que a ideia de passar o resto da tarde frio e molhado desencorajava-o.
- Não precisas de mergulhar Musi. Eu preparo umas bagas para o jantar. Estamos na primavera, mas o sol ainda está fraco, ainda não aquece. Não te molhes.
- Brrrrr!!! - Gemeu o Musi ao colocar o pé na água - que água gelada. Ia demorar muito tempo a secar.
- Isso é porque não tens uma toalha! - Ouviu-se por entre os arbustos.
O Musi e a Musa, surpreendidos olharam para ver quem estava ali.
O Musi e a Musa, surpreendidos olharam para ver quem estava ali.
- Olha Musi é um Furão. - disse a Musa.
- Se tivesses uma toalha podias secar-te facilmente. - disse o Furão.
- Tu também não tens uma toalha. - Disse o Musi.
- Quem disse que não tenho?! - E dito isto levou a mão ao bolso das calças e tirou de lá uma toalha.
- Toma, eu empresto-te. Agora já te podes secar.
- Que bonitas calças tens tu! - Disse a Musa.
- São mágicas! - Disse o Furão.
- Mágicas?! - Exclamaram os musaranhos.
- Sim mágicas! Consigo tirar tudo o que quiser de dentro dos bolsos delas. Toalhas, calções, chinelos, tudo o que quiser! Basta pensar no que quero, levar a mão ao bolso e tirar para fora.
- Não acredito. Podes tirar tudo o que quiseres? - Perguntaram os musaranhos
- Sim. - Disse o Furão.
- Então tira o meu jantar! - desafiou o Musi.
- Não posso! - Disse o Furão.
- Não podes porquê?
- Porque custa dinheiro.
- Tira o jantar e depois jantas connosco. - disse a Musa
- Humm! Ok, parece-me bem. - Disse convencido o Furão.
Então o furão levou a mão ao bolso e tirou três saborosos pratos de larvas com folhas de amieiro. Tirou mesa, cadeiras, talheres, copos. Depois tirou um garrafão de sumo para aquecer a noite e um abrigo por causa da geada.
Musi e a Musa ficaram deslumbrados com o que estavam a ver.
- O Furão tirou mesmo tudo aquilo do bolso das calças num ápice! - Pensavam
- O Furão tirou mesmo tudo aquilo do bolso das calças num ápice! - Pensavam
Durante o jantar o Furão contou-lhes que foi, durante muitos anos, animal de estimação de um mago que vivia na montanha amarela. O mago capturou-o quando ele era ainda muito pequenino e habituou-o a caçar os ratos e outros animais que infestavam casa. O furão não gostava nada de caçar. Ele preferia ficar na caminha a dormir. "Caçar que era coisa para gatos" - dizia. Só que tinha de os caçar ou então o dono prendia-o e por vezes batia-lhe.
- Um dia apareceu um homem na casa do mago e o mago transformou-o em rato. - disse o Furão - Depois obrigou-me a caçá-lo. No final e como recompensa deu-me as calças que o homem trazia vestidas.
O que o mago não sabia é que a magia que fizera para transformar o homem em rato, havia dado poderes mágicos às calças.
Quando o Furão descobriu que podia tirar tudo o que queria de dentro dos bolsos das calças, começou a pensar que já não precisava mais de viver com o mago a caçar ratos. Ele podia viver sozinho, dormir o tempo todo, pois teria tudo o que queria, bastava, para isso, levar a mão ao bolso.
Então, um dia, decidiu partir de casa do mago e, desde então, vive no bosque.
Então, um dia, decidiu partir de casa do mago e, desde então, vive no bosque.
O Musi e a Musa, depois do jantar, ficaram muito amigos do Furão que passou a visitá-los e a jantar com eles regularmente.
Um dia o texugo veio falar com o Musi, queixoso e preocupado com a situação do bosque.
- Não se pode viver aqui mais! O bosque já não é o que era. Está tudo cheio de coisas que inúteis ao bosque!!
- Porque é que estás tão preocupado? O que é que se passa? - Perguntou o Musi
- Então vê lá tu Musi, que eu à porta da minha casa tenho um candeeiro aceso a noite toda. Não consigo dormir por causa da luz! Os caminhos estão todos alcatroados e eu já nem sei qual é o cheiro da terra!
- Como é que aconteceu isso? O que é que se passou? - perguntou o Musi
- É o Furão que está a fazer estas coisas todas. Ele põe a mão no bolso e, zás, tira candeeiros, estradas, cadeiras, tudo o que lhe apetece.
- Coisas inúteis no nosso bosque e que só poluem. - Disse o Mocho.
- Temos de fazer alguma coisa. - Disse a Musa.
- Sim, vamos de falar com ele. Não pode continuar a poluir o nosso bosque com coisas inúteis.
Então os animais do bosque foram à procura do Furão. Quando o viram ele estava a construir uma pista de gelo na clareira do bosque.
- O que estás a fazer? - perguntou o Musi.
- Estou a fazer uns melhoramentos.
- Não estás a melhorar nada. Estás a penas a piorar e a poluir o bosque. - Disse o texugo
- Não, Não! Já construí estradas, casas e coloquei postes de iluminação e agora vou construir uma pista de gelo para as crias brincarem. - Disse o Furão.
- Olha, isso que estás a construir não são coisas do bosque! O bosque e os animais não precisam de estradas, de casas ou de candeeiros de iluminação. E as nossas crias preferem brincar com as folhas e com os paus porque não precisam de pistas de gelo! Isto tudo que tiraste dos bolsos são coisas que não pertencem ao bosque e criam dificuldades à vida dos animais. Os animais constroem o que precisam com as coisas que o bosque lhes dá. E isso é o suficiente. Isso é o que as faz felizes. Os animais do bosque também é a mesma coisa. As casas e as estradas não são naturais do bosque. Percebes! Não nos interessa, nem interessa ao bosque- Disse o Musi.
- Desculpa Musi, não sabia que estava a fazer tanto mal. Julguei que estavam a precisar de um pouco de evolução e inovação. Por isso é que fiz estes melhoramentos todos. Pelos vistos têm razão. Estas coisas todas não se encaixam no bosque e só vos trás dificuldades. Vou pôr tudo como estava.
Então o Furão tirou dos bolsos, árvores, terra, flores e ervas e voltou a pôr tudo no sitio. O bosque voltou a ser o que era. Não mais tirou coisas dos bolsos que não eram do bosque e não mais vestiu as calças mágicas.
Sem comentários:
Enviar um comentário