segunda-feira, 30 de novembro de 2009
As duas postas! (parte Três)
Se arranjar um emprego que me dê uns cobres.. vou conseguir tirar a posta Zorra e a posta Zita do posto dos correios e da companhia daquela seca funcionária! - Comentei para os meus botões
O tempo passava, lento, até que encontrei um emprego num hotel. Na secção da lavandaria.
O trabalho era bem chato, tinha de engomar dúzias de lençóis brancos por dia. por cada lençol engomado recebia 20 cêntimos. Quantos mais engomasse mais recebia!
Se não fosse a minha pressa em fazer dinheiro teria denunciado ao ministério do Trabalho esta exploração....
Até tinha jeito para engomar lençóis!
Com o ferro quente para cima e para baixo!Pfff! Xííí!! Pfff!! Xííí!! O vapor quente que subia acariciando a cara! Depois dobrava o lençol ao meio, e tornava a engomar. Pfff!! Xííí!!
Dobrava outra vez, engomava novamente!Dobrava outra vez, engomava novamente!Dobrava outra vez, engomava novamente! Pfff!! Xiii!
e sempre assim até ficar na forma de um rectângulo!
depois pegava na minha obra prima, e levava para uma prateleira e... Plimm! 20 cêntimos no bolso.
Cheguei a queimar uns poucos de lençóis e quase que era despedido!
Ó dona o ferro tá muito quente - dizia eu à minha supervisora!
Estive então dois meses a engomar lençóis brancos... 50 euros que consegui juntar!
Não havia maneira de conseguir dinheiro suficiente para pagar o leilão!
Até que um dia o carteiro bateu na minha porta:
- Tem aqui um embrulho para o senhor!
- A Posta Zorra e a Posta Zita!
- não tenho de pagar nada? - disse eu!
- Não, esta encomenda estava já há muito tempo na prateleira. Confirmei a morada e é aqui mesmo. Sabe é que eu sou carteiro novo por aqui e ainda tenho alguma dificuldade na entrega da correspondência!
Eu calei-me! Aceitei a encomenda fechei a porta, esperei!
espreitei pela janela e ví o carteiro ir embora!
Iupiii! amigas Posta Zorra e Posta Zita. que bom que as tenho comigo! finalmente posso estar com voçês.
- Já era sem tempo! estava a ver que nunca mais pagavas o imposto! Forreta.... onde já se viu deixar assim duas amigas por causa de dinheiro. dizia a posta Zorra
- Posta Zorra não sejas indelicada. Não havia dinheiro para pagar... agora já estamos aqui todos juntos e felizes. não há problema!
- Amigas eu não paguei nada! o carteiro era novo e entregou a caixa por engano! nem devia saber que estava para leilão. Viu a caixa lá há muito tempo e resolveu entrega-la!
Agora a seca senhora funcionária deve estar a torcer-se de irritação! ehehe
- És mesmo um forreta.. e o que vais fazer ao dinheiro? - disse a posta Zorra
- Oh não é da tua conta - disse a Posta Zita!
- Humm, vamos comprar comida e fazer um enorme jantar para comemorar!
- E uma garrafa de vinho para beber à conta da seca senhora funcionária! - disse a posta Zita!
As duas postas! (parte Dois)
A casa era bem porreira. Tinha três quartos e uma casa de banho, uma sala de estar com um mini-bar que rápidamente ficou vazio.Uma pequena cozinha com um micr- ondas, fogão e um frigorífico. Que não tinha comparação com o meu.. aliás sempre que olhava para ele dava-me uma enorme saudade das minhas duas amigas postas de bacalhau.
O que estariam as minhas duas amigas postas de bacalhau a fazer! Sozinhas num frigorífico vazio. Imaginei a posta Zorra sempre a barafustar com a posta Zita. E a posta Zita a responder dócil e pacientemente.
Bem por entre saudades fui aproveitando o que era me oferecido nesta viagem.
Até que um dia recebi uma nota. Para espanto meu tinha que me dirigir aos posto dos correios para levantar uma encomenda!
- Senhor tenha a gentileza de dizer ao que vem? - disse a funcionária
- Tenho esta nota. E é para levantar uma encomenda. - respondi
- Muito bem, tenha a gentileza de aguardar enquanto recolho a sua encomenda.
Esperei não suspeitando o que seria a encomenda, nem quem a teria enviado!
- Sou eu!
- Aqui está a sua encomenda senhor!
- O que é? - perguntei ansiosamente
- Er... são duas postas de bacalhau. Uma Zita e outra Zorra! - disse muito secamente a funcionária enquanto olhava a encomenda.
As minhas amigas postas de bacalhau! a posta Zita e a posta Zorra! Fizeram-me uma visita! Embalaram-se e vieram até mim! não posso acreditar!
- Rápido tira-nos daqui! já não posso mais com esta caixa... é escura e dura que se farta! - gritava de dentro da caixa a posta Zorra!
- Olá seu malandrinho! abre lá a caixa... estou doida por te ver! - dizia a posta Zita.
- Que bom que vieram! estava com saudades vossas... Postas loucas como vocês não existem em oceano algum!
Os olhos brilhavam de emoção e o meu coração pulava de tanta alegria. Não podia acreditar que ia ter por companhia novamente as minhas duas amigas postas de bacalhau! A alegria do me frigorífico.
- Senhor por gentileza terá de desembolsar 500E para levantar a encomenda!
- Como!? desembolsar 500E? qual é a bolsa que tem 500E?
- Senhor terá de pagar 500E relativos ao imposto alfandegário, ao imposto federal e ao imposto estatal respectivamente.
- Onde já se viu isto!? impostos por duas postas de bacalhau? e logo 500E....
- Então pá. Paga lá isso e tira-nos daqui! - Dizia a posta Zorra
Pagar!! como? não tenho 500E. todo o dinheiro que tenho não chega a isso!
- Vão ter que voltar para trás amigas postas de bacalhau! não tenho como pagar estes impostos!
- Forreta! tens dinheiro sim senhor... paga lá os impostos! - dizia a posta Zorra.
- Não tenho não! E o que acontece se não levantar a encomenda? - perguntei
- Se o senhor por gentileza não levantar a encomenda esta ficará retida na alfandega onde posteriormente será leiloada pelo melhor preço!
É isso mesmo que vou fazer, as minhas amigas postas de bacalhau terão de se aguentar um pouco mais na caixa e depois compro em leilão por um preço muito mais baixo!
- Ouviram amigas postas de bacalhau! aguentem-se aí um pouquinho mais que logo logo as venho buscar. - sussurrei eu para dentro da caixa
- Isto é um roubo! fique lá com a caixa... imagine agora pagar 500E de imposto por duas postas de bacalhau. coma-as você sua extorquidora - retorqui para a funcionária.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
As duas postas! (parte Um)
As minhas amigas são duas amigas muito especiais, são duas postas de bacalhau, muito divertidas e engraçadas, e com as quais passo longas horas a conversar.
Conhecia-as numa noite de natal!
Uma noite fria, sem prendas de natal, de prato branco com um fio de azeite a regar uma batata cozida e as minhas duas amigas postas de bacalhau.
Na verdade, elas não são duas postas de bacalhau normais as minhas amigas postas de bacalhau! Elas são bem diferentes.
A mais grossa e insossa e que está sempre descontente com alguma coisa, chama-se posta Zorra, e foi tirada do costado do bacalhau!
A outra mais fina e meiga, mostrava sempre um sorriso a todos chama-se posta Zita, e é um bonito rabo de Bacalhau!
Decidi que essa noite ia ser diferente.
Ia deixar de comer bacalhau e guardar a amizade daquelas duas postas de bacalhau no meu frigorífico.
Afinal não é todos os dias que se tem duas postas de bacalhau a alegrar o frigorífico!
E confesso, já há muito que não via o meu figorífico tão limpo, tão cheio e tão bonito como agora!
Tudo mudou desde que as duas postas chegaram!
A posta Zita, muito calma e alegre, conversava com todos os alimentos, e sempre que algo não estava bem, falava comigo!
Há um tomate que precisa de ser comido pois está a ficar com bolor. Há um iogurte que morre amanhã... tens que o comer!tens duas fêveras que querem ser cozinhados com os alhos! tens que comprar alhos! dizia-me ela ao ouvido.
A posta Zorra, era bem diferente!
Desde que ali chegou, rapidamente ordenou e distribuiu todos os alimentos.
Aqui mando eu! - dizia ela- Eu quero na gaveta de baixo os legumes e a carne no congelador!
Os pacotes de leite e da manteiga têem que se tapar muito bem para não entornar. E os ovos quero-vos todos ordenados e bem juntinhos a ocupar os lugares devidos! nada de saltear.
E no sábado faremos uma limpeza geral ao frigorífico! entenderam?
E aí lá fazia eu uma enorme jantarada esvaziando e limpando o frigorífico.
No dia seguinte enchia novamente o frigorífico com novos alimentos, e toda o processo se repetia, de forma harmoniosa e equilibrada!
Tudo corria bem com o meu frigorífico e as minhas duas amigas postas de bacalhau! a posta Zorra e a posta Zita.
Decidi fazer uma viagem para arejar ideias!
Uma daquelas vontades de conhecer novos lugares e novas pessoas. Aprender coisas diferentes e trocar pontos de vista!
Dei a noticia às minhas amigas postas de bacalhau, a posta Zorra e a posta Zita.
Que bom , vai ser muito bom para ti, espero que encontres o que procuras - disse-me a posta Zita. - vou contar aos outros!
Que raios... - disse a posta Zorra - e logo agora que tens o frigorífico cheio. Como é que vamos fazer ? hem!? e o leite? Tinhas que viajar agora... tanta coisa para fazer aqui! mas vai lá e não e preocupes que aqui nos arranjamos!
E por entre avisos, carinhos e despedidas parti em viagem deixando o frigorífico, vazio, à guarda das minhas duas amigas postas de bacalhau a posta Zita e a posta Zorra!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
O Toupas trata da água!
O sol levantou-se bem quentinho e aquecia todos os animais.Pelo ar as borboletas voavam de flor em flor.
A gota de orvalho desliza sobre a folha de um choupo caindo na Terra!
- Plim!
- Ui! Está a chover, vamos nos abrigar Topilde! - Disse o Toupas.
- São só as gotas de orvalho. Caem sempre pela manha. Volta dormir Toupas, ainda é muito cedo!– Disse ensonada a Topilde.
- Humm, está bem.
- Depois deste banho vou mas é apanhar umas bagas para o pequeno almoço. - murmurou o Toupas.
Nisto algo prendeu a atenção do Toupas.
- Ai que estou preso! Ajudem-me! Ajudem-me! – ouvia-se ao longe.
O Toupas e a Toupilde rapidamente correram em direcção à voz que se ouvia ao longe!
- Alí Toupas, no lago, aquele pato está preso naquele velho pneu!
O Toupas que é um excelente nadador, mergulhou na água, libertou o Pato do velho pneu e puxou-o para terra.
Os animais que se juntaram nas margens da lagoa para ver o salvamento, batiam palmas ao Toupas o herói do dia!
- Muito obrigado pequeno amigo!
- Olá pato, o meu nome é Toupas e sou uma toupeira de água.O importante é que estejas bem!
- Eu sou o marreco Jiro e não sou um pato. Os patos são maiores e não são tão bonitos como eu! – disse o Jiro
- Está bem, não te irrites! Não sabia. – disse o Toupas
- E o que fazes aqui nesta lagoa tão suja? – perguntou a Toupilde.
- Eu sou uma ave migratória. Estou sempre a viajar pelo mundo para encontrar lugares quentinhos. E resolvi parar nesta lagoa para descansar um bocadinho. E quando mergulhava, fiquei preso neste velho pneu.
- É verdade, eu vi-o chegar ontem! - Disse a galinha d’água.
- Esta lagoa está muito poluída. O Homem faz dela uma lixeira! Já não se pode viver aqui! Disse o morcego de água.
- E a água está tão suja que não consigo ver nada debaixo de água! – queixou-se o cágado
- Então porque não limpam a lagoa? – disse o Toupas
- Isso é uma boa idéia. – disse o marreco Jiro
- E depois o que fazemos ao lixo? – perguntou a galinha
- Juntam o lixo e levam-no até ao Homem.O lixo é do Homem e ele deve tratar dele! – disse a Toupilde.
E assim os habitantes daquela lagoa decidiram, com a ajuda do Toupas e da Toupilde recolher todo o lixo e levá-lo até ao Homem.
O sapo parteiro carregava o lixo nas costas tal e qual um camião. O cágado rebocava pneus, botas pela água. A galinha d’água e o marreco Jiro recolhiam o lixo por entre as árvores e os caniços. Todos os animais que moravam na lagoa limpavam a lagoa.
Ao final do dia, os habitantes da lagoa, tinham já um enorme monte de lixo.
- Nem sei como é que havia tanto lixo na lagoa. Agora está bem bonita – disse o marreco Jiro.
- Que enorme monte de lixo! Vamos chamá-lo o monstro de lixo! – disse a galinha de água
- Mas a água continua muito suja. - Disse o cágado
- Temos de esperar que o lagoa encha de novo com água limpa. A chuva e água dos riachos também irão ajudar a limpar a água! - disse o marreco Jiro
- Está bem então. Amanha levamos o “monstro de lixo” ao homem. E ele que trate dele! – disse a Toupilde.
No dia seguinte os habitantes da lagoa, com a ajuda do Toupas e da Toupilde levaram o monstro de lixo à presença dos Homens.
- Senhor Homem recolhemos este monte de lixo na lagoa. Viemos entregá-lo, pois saberá o que fazer com ele. - Disse o Toupas
- O lixo é seu, e não queremos que polua mais a lagoa!Já nos basta viver com a água suja pelos seus esgotos. – disse a galinha d’água.
- Amigos tem razão, basta de poluição!Obrigado por recolherem o lixo, irei tratar dele como deve ser. E quanto à água vou construir uma estação de tratamento para que a água saia limpa e transparente. – disse o Homem
- IUPííí´! – gritaram felizes os habitantes da lagoa.
- Obrigado Toupas, graças a ti temos de novo a nossa lagoa limpa e bonita! – disse a galinha d’água
- Ora, todos ajudamos! Todos limpamos a lagoa....
E assim o Toupas e a Toupilde deixaram os amigos da lagoa e seguiram felizes a sua viagem.
- Toupilde não tens fome? Tenho umas bagas que colhi hoje pela manha... queres uma? – disse o Toupas
- Oh Toupas, és um amor.... o meu amor!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
O meu quintal!
Lá estava, só, ondulando com leves brisas
imensas astes de ervas, parecem guardar
imensos seres que habitam o chão.
Hipericão, camolila, margaritas e mentas
diferem de todas as outras astes
que brotam no meu quintal.
Cada vez mais habitado.
Sob estas, aproximo-me e atento
reparo na diversidade
de anónimos e indiferentes seres
que trabalham no meu quintal.
segunda-feira, 16 de março de 2009
A formiga e o Sol!
E a formiga que do trabalho veio quente,
parou no charco para beber duas gotinhas.
O sol não gostou!Elas são minhas ninguém desmente.
E do charco evaporou,
as suas gotas que devorou.
deixando a formiga no solo ardente.
Assim não pode ser Sol!
disse uma nuvem incomodada.
A formiga muito trabalha,
E sem água vai ficar escaldada!
A nuvem cobriu o sol para arrefecer,
e cairam as gotas que o sol esteve a beber.
Agradecida a formiga bebeu as gotas de uma golada.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
O Lobo do Homem
O Lobisomem!
Perdido na Floresta o homem seguía com os seus pensamentos na noite clara e fria.
Não podia acreditar! o que seria dele agora?
O lobo não cumpriu o que prometeu - pensava
Não posso aparecer na Vila... todos estão assustados. Pensam que sou um Lobo!
E o senhor certamente que me manda matar por traição se me põe a vista em cima....
Gerónimo continuava absorto nas suas preocupações e nos problemas quando no alto duma rocha o lobo soltou longo um uivo. O Homem sentiu o chamar do lobo.
Ah estás aí! espera que quero falar contigo..... O que vai ser de mim - Gritou desesperado o Gerónimo!
Numa correria desenfreada,galgando o monte, Gerónimo dirigiu-se para o local de onde o Lobo uivara.
Ao chegar lá qual não foi o seu espanto ao ver todos os animais reunidos numa enorme assembleia.
Homem sei que te criei problemas e agora não tens para onde ir. Ficarás connosco e viverás como um de nós - disse o Lobo.
Pois! - exclamou - Não me resta nenhuma alternativa, terei que aceitar. - respondeu Gerónimo
Na cidade corre o boato que eu me transformei num Lobo. Todos estão assustados e com medo de mim!
Pois connosco estarás bem... Longe da escravidão do teu senhor! E poderás ajudar-nos a atravessar a cerca. assim poderemos ir ao outro lado do vale buscar comida.
Nunca mais ninguém soube nada do Gerónimo.
Em dias de Lua cheia muitos foram os que perceberam uma figura meio humana meio Lobo junto dos terrenos do senhor. Diziam que era o espírito errante do pobre Gerónimo a tentar encontrar o caminho de volta para casa....
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
O Lobo do Homem!
Como o Lobo passou por homem!
Já os primeiros raios de sol entravam pelo quarto de Gerónimo quando este acordou.
Tudo aquilo lhe parecera um sonho!Só podia ser um sonho....
Não queria acreditar no que o lobo lhe dissera.
- O Lobo está disposto a sacrificar-se para libertar todos os animais!
Gerónimo só não compreendia porque é que o Lobo se ia disfarçar de Homem para falar com o senhor.
- Talvez porque o Lobo quer ver de perto o senhor!Na, para isso bastava ir à sua casa e observá-lo ao longe .
- Já sei o Lobo quer mostrar ao senhor quem é que manda nas terras..... Não me parece, um Lobo é demasiado honesto.
Seja qual for a ideia do Lobo acho é que o senhor podia evitar isto. Aliás é proveitoso para o senhor se os animais pudessem circular livremente pelas suas terras.
As ervas daninhas não cresciam tanto pelos campos, os terrenos ficavam mais férteis, as toupeiras não minavam as terras e os coelhos já não comiam os nossos legumes.....
Nisto ouviu uma voz que o chamava.
- Gerónimo!!! Acorda homem, as tuas ovelhas estão a fugir!
Num salto Gerónimo levantou-se e dirigiu-se para porta.
Por todo o campo as ovelhas pastavam, alguém abriu a porta do estábulo e as ovelhas estavam a pastar na horta!
- Deve ter sido o Lobo!Esse rafeiro... Apareceu por aqui de certeza, as ovelhas assustaram-se, saíram e agora comem-te as couves...
Gerónimo soltou os cães e rapidamente as ovelhas entraram para o estábulo. Olhou para a horta e se não fosse meia dúzia de couves algumas cenouras e nabos e alguns pés de feijão ninguém diria que um rebanho de ovelhas teria pastado por ali!
- Então Homem!A estas horas e ainda não estás a pé? disse o Zé
- Ó Zé preciso de um favor teu! interrompeu Gerónimo.
Vai dizer ao senhor que esta noite preciso de falar com ele.Que tenho preparado uma boa ceia para podermos falar os dois.
- Fiz tudo como disseste Lobo.Agora só falta disfarçar-te de Homem. disse Gerónimo
Gerónimo foi buscar as roupas velhas que já não vestia, e trouxe também um chapéu enorme que costumava usar só quando ia para o campo e deu-as ao Lobo.
O Lobo vestiu-as!
- Diabos me levem se vestido dessa maneira não te pareces comigo!O senhor nem vai notar com a escuridão da noite!
Gerónimo assim fez.
Pôs na mesa a melhor comida que tinha, acendeu as velas que iluminavam a sala, não as acendeu todas pois estava lua cheia e muita claridade podia pôr a descoberto o disfarce do Lobo e deitar todo o plano abaixo!
Nisto os servos anunciaram a vinda do senhor!
- Boa noite Gerónimo! disse o senhor
- Boa mesa a que puseste, mas digo-te que o meu tempo não é muito! diz lá o que me queres ou o que te preocupa!
Dito isto sentou-se, o Lobo seguia-lhe os passos com o olhar sombreado pela aba do chapéu.
Não tiras o chapéu perante o senhor?E podias arranjar-te um pouco melhor para me receberes! disse indignado o senhor!
- Só tenho estas roupas!mas não são elas que falam por mim.
- Convidei-o para cear comigo porque lhe queria pedir um favor.
- No outro dia vi-o a entrar nas terras para ir caçar.Só que agora ele não consegue sair das suas terras e anda a comer-me as ovelhas e as galinhas!Se o senhor tirasse a cerca ele já podia sair e circular à vontade pelo vale!
- Não Posso crer!Recebes-me na tua casa mal iluminada, desrespeitas-me não tirando o chapéu e apresentando-te de roupas velhas e pedes-me para tirar a cerca e perder os limites das minhas terras, por causa de um Lobo?!!
- Perdeste o juízo?!Não aceito uma afronta dessas Gerónimo.
- Porque não caças esse Lobo? perguntou o senhor
- Porque o Lobo só quer passar para o outro lado do vale e com a sua cerca ele não o pode fazer!Não o vou caçar só por isso!
- Não posso estar a ouvir bem! Servos acendam mais velas quero ver bem o Gerónimo!
A claridade iluminou a sala e como os raios de sol matinais que descobrem a superfície da terra assim por detrás do chapéu e das roupas velhas a figura do lobo se descortinou.
Os Servos afastaram-se!
O senhor gritou de medo!
- O Gerónimo é um Lobo! Fujam que nos come!O Lobo num salto, lançou-se sobre o senhor e uivando disse!
- Hás-de tirar a cerca ou então ficarás sem terras malvado senhor!
E partiu!
- O Lobo foi descoberto!e porque não se entregou ele aos servos como tinha dito?que faço agora?
- O senhor julga-me um Lobo, e não posso aparecer.
- Os servos se me vêem prendem-me e matam-me!
- Só me resta fugir.
E abandonou a casa!
domingo, 4 de janeiro de 2009
O Lobo do Homem!
Como o homem foi a casa do lobo
Gerónimo encontrou-se com os seus amigos na taberna do Pascoal onde ia sempre depois do jantar para conversar ou desabafar algum assunto que o incomodava.
Lá encontrava os seus amigos, frequentadores habituais do bom vinho da taberna do Pascoal e comentou com eles o que se tinha passado.
- É como vos digo amigos, o Lobo anda por estas paragens porque quer passar para o outro lado do vale, e com a cerca que o Senhor pôs ele não consegue!! disse o Gerónimo.
- Olha olha!este Gerónimo tem cada ideia! troçou o Manel
- Mete isto na tua ideia Gerónimo - disse o Zé - O lobo anda por cá porque quer comer os animais do senhor...
- Pois e se te faltar algum pela manhã, vais ver como o senhor te castiga. Tira-te a casa e os terrenos e vais ter que viver na montanha... disse o Joaquim.
- Ah isso é que não! eu vou dar caça a esse animal!
É certo que não o ia fazer, Gerónimo não gostava de matar animais, só quando tinha de ser. Antes disso ia tentar encontrar ele próprio uma solução para o problema do Lobo!Era claro para ele que os seus amigos não se importavam com o Lobo!
Mas ele Não... Depois do ultimo encontro algo o ligava àquele Lobo e ele estava disposto a preservar essa união.
- Afinal não é todos os dias que se fala com um lobo! comentou com os seus botões
E saiu da taberna em direcção a casa. Já a noite se estendia por toda a planície iluminada pelo luar quando um Javali mais incomodado dava um enorme e gutural bramido.
Ao longe ouvia os ouriços a esgravatar por entre as folhas enquanto que os ralos orquestravam a melodia nocturna acompanhando Gerónimo no seu caminho de regresso.
Ao chegar a casa qual não foi o seu espanto quando viu o Lobo deitado à soleira da porta. Estava à sua espera....
Quando o Lobo viu o Gerónimo sem pressas, em silêncio, levantou-se e seguiu em direcção à montanha, num passo leve e lento como se quisesse ser seguído.
Gerónimo percebeu e sem mais seguiu o Lobo por entre a montanha.
Seguiu-o pela encosta que ladeava a margem do ribeiro até encontrarem um largo caminho de terra. Gerónimo lembrou-se de como era bonito o vale iluminado pelo luar visto dali de cima, e contemplou-o ao som das corujas que ecoavam lindas declarações.
Perto de um enorme carvalho o Lobo começou a trepar por umas rochas que subiam encosta acima. Gerónimo seguiu-o até que entraram numa enorme e fria gruta.
Na gruta ouviam-se os guinchos dos morcegos que alarmados pela presença de Gerónimo começaram a esvoaçar.Gerónimo sentou-se.O lobo começou então a falar.
- Gerónimo bem vindo à minha toca.Vivo aqui com a Loba as minhas crias, e os morcegos.
há muitas gerações que utilizamos esta toca para viver. É sempre este o sitio que escolhemos para criar as crias, pois há muitos animais para caçar e comer e é espaçoso para as suas brincadeiras.
Mas desde que o teu senhor construiu a cerca que vivemos aqui sem puder sair para lado nenhum.
Os animais estão tristes pois não podem sair, as minhas crias estão a ficar tristes e violentas porque querem sair.Querem caçar e brincar pelo vale e não conseguem por causa da cerca!
os animais estão todos muito tristes e revoltados e incumbiram-me de resolver este problema.
depois de muito pensar resolvi agir e já há mais de uma semana que tento comunicar contigo.
Tenho um plano para resolver este problema e preciso do teu apoio.
No próximo mês vais marcar um encontro com o teu senhor em tua casa. Vais chama-lo para ver os seus animais. Como estão grandes, sãos e felizes na quinta que preparas com tanta dedicação.
Depois à noite vais convida-lo para cear, e quando ele estiver na tua mesa eu disfarço-me com as tuas roupas, como é de noite ele não se vai aperceber, e convenço-o a tirar cerca!
- Mas isso é impossível, ele está sempre acompanhado pelos seus súbditos, se o senhor não te reconhecer, reconhecem-te eles. disse o Gerónimo
- Eu sei Gerónimo, por isso é que eu preciso do teu apoio. disse o Lobo.
Enquanto eu estiver na sala de jantar com o teu Senhor tu estarás a distrair os seus súbditos fora de casa.
Tens que os distrair pelo menos durante 5 minutos, pois esse é o tempo que eu preciso para convencer o teu senhor a retirar a cerca.
- Parece-me um bom plano - disse Gerónimo - e se não resultar?
- Se não resultar.... Digo-te que o teu senhor ficará muito contente!
Gerónimo naquele momento viu nos olhos do Lobo um enorme brilho!O Lobo parecia estar muito certo do que dizia, como se todo aquele plano estivesse energicamente planeado.Nada ia falhar mesmo a pior das hipóteses.
Só terás que dizer que me apanhaste e que lhe querias fazer uma surpresa ao entregar-me ao teu senhor por isso é que o convidaste.
Eu deixar me-ei apanhar pelos seus servos. continuou o Lobo
Gerónimo ficou em silêncio.E deixou que um enorme aperto lhe esmagasse o coração!