segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Lobo do Homem!

CAPITULO TRÊS
Como o Lobo passou por homem!


Já os primeiros raios de sol entravam pelo quarto de Gerónimo quando este acordou.
Tudo aquilo lhe parecera um sonho!Só podia ser um sonho....
Não queria acreditar no que o lobo lhe dissera.
- O Lobo está disposto a sacrificar-se para libertar todos os animais!
Gerónimo só não compreendia porque é que o Lobo se ia disfarçar de Homem para falar com o senhor.
- Talvez porque o Lobo quer ver de perto o senhor!Na, para isso bastava ir à sua casa e observá-lo ao longe .
- Já sei o Lobo quer mostrar ao senhor quem é que manda nas terras..... Não me parece, um Lobo é demasiado honesto.
Seja qual for a ideia do Lobo acho é que o senhor podia evitar isto. Aliás é proveitoso para o senhor se os animais pudessem circular livremente pelas suas terras.
As ervas daninhas não cresciam tanto pelos campos, os terrenos ficavam mais férteis, as toupeiras não minavam as terras e os coelhos já não comiam os nossos legumes.....
Nisto ouviu uma voz que o chamava.
- Gerónimo!!! Acorda homem, as tuas ovelhas estão a fugir!
Num salto Gerónimo levantou-se e dirigiu-se para porta.
Por todo o campo as ovelhas pastavam, alguém abriu a porta do estábulo e as ovelhas estavam a pastar na horta!
- Deve ter sido o Lobo!Esse rafeiro... Apareceu por aqui de certeza, as ovelhas assustaram-se, saíram e agora comem-te as couves...
Gerónimo soltou os cães e rapidamente as ovelhas entraram para o estábulo. Olhou para a horta e se não fosse meia dúzia de couves algumas cenouras e nabos e alguns pés de feijão ninguém diria que um rebanho de ovelhas teria pastado por ali!
- Então Homem!A estas horas e ainda não estás a pé? disse o Zé
- Ó Zé preciso de um favor teu! interrompeu Gerónimo.
Vai dizer ao senhor que esta noite preciso de falar com ele.Que tenho preparado uma boa ceia para podermos falar os dois.
Quando o canto dos pardais se ouviam por entre as folhas das árvores anunciando o fim da tarde e as águias sobrevoavam o vale num voo atento e sereno o Lobo apareceu junto da casa de Gerónimo.
- Fiz tudo como disseste Lobo.Agora só falta disfarçar-te de Homem. disse Gerónimo
Gerónimo foi buscar as roupas velhas que já não vestia, e trouxe também um chapéu enorme que costumava usar só quando ia para o campo e deu-as ao Lobo.
O Lobo vestiu-as!
- Diabos me levem se vestido dessa maneira não te pareces comigo!O senhor nem vai notar com a escuridão da noite!
- O teu senhor deve estar a chegar, vou para a sala de jantar e vou-me sentar no teu lugar.Põe na mesa tudo do bom melhor que tiveres. Depois esconde-te na cozinha e só entras quando eu for ter contigo! disse o Lobo
Gerónimo assim fez.
Pôs na mesa a melhor comida que tinha, acendeu as velas que iluminavam a sala, não as acendeu todas pois estava lua cheia e muita claridade podia pôr a descoberto o disfarce do Lobo e deitar todo o plano abaixo!
Nisto os servos anunciaram a vinda do senhor!
- Boa noite Gerónimo! disse o senhor
- Boa mesa a que puseste, mas digo-te que o meu tempo não é muito! diz lá o que me queres ou o que te preocupa!
Dito isto sentou-se, o Lobo seguia-lhe os passos com o olhar sombreado pela aba do chapéu.
Não tiras o chapéu perante o senhor?E podias arranjar-te um pouco melhor para me receberes! disse indignado o senhor!
- Só tenho estas roupas!mas não são elas que falam por mim.
- Convidei-o para cear comigo porque lhe queria pedir um favor.
Precisava que tirasse a cerca que rodeiam estas terras! Dizem que anda por aqui um Lobo, muito mau por sinal, que costuma caçar do outro lado do vale!
- No outro dia vi-o a entrar nas terras para ir caçar.Só que agora ele não consegue sair das suas terras e anda a comer-me as ovelhas e as galinhas!Se o senhor tirasse a cerca ele já podia sair e circular à vontade pelo vale!
- Não Posso crer!Recebes-me na tua casa mal iluminada, desrespeitas-me não tirando o chapéu e apresentando-te de roupas velhas e pedes-me para tirar a cerca e perder os limites das minhas terras, por causa de um Lobo?!!
- Perdeste o juízo?!Não aceito uma afronta dessas Gerónimo.
- Porque não caças esse Lobo? perguntou o senhor
- Porque o Lobo só quer passar para o outro lado do vale e com a sua cerca ele não o pode fazer!Não o vou caçar só por isso!
- Não posso estar a ouvir bem! Servos acendam mais velas quero ver bem o Gerónimo!
A claridade iluminou a sala e como os raios de sol matinais que descobrem a superfície da terra assim por detrás do chapéu e das roupas velhas a figura do lobo se descortinou.
Os Servos afastaram-se!
O senhor gritou de medo!
- O Gerónimo é um Lobo! Fujam que nos come!O Lobo num salto, lançou-se sobre o senhor e uivando disse!
- Hás-de tirar a cerca ou então ficarás sem terras malvado senhor!
E partiu!
O Homem na cozinha, apavorado assistira a tudo!
- O Lobo foi descoberto!e porque não se entregou ele aos servos como tinha dito?que faço agora?
- O senhor julga-me um Lobo, e não posso aparecer.
- Os servos se me vêem prendem-me e matam-me!
- Só me resta fugir.
E abandonou a casa!

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