domingo, 4 de janeiro de 2009

O Lobo do Homem!

CAPITULO DOIS
Como o homem foi a casa do lobo

Gerónimo encontrou-se com os seus amigos na taberna do Pascoal onde ia sempre depois do jantar para conversar ou desabafar algum assunto que o incomodava.
Lá encontrava os seus amigos, frequentadores habituais do bom vinho da taberna do Pascoal e comentou com eles o que se tinha passado.
- É como vos digo amigos, o Lobo anda por estas paragens porque quer passar para o outro lado do vale, e com a cerca que o Senhor pôs ele não consegue!! disse o Gerónimo.
- Olha olha!este Gerónimo tem cada ideia! troçou o Manel
- Mete isto na tua ideia Gerónimo - disse o Zé - O lobo anda por cá porque quer comer os animais do senhor...
- Pois e se te faltar algum pela manhã, vais ver como o senhor te castiga. Tira-te a casa e os terrenos e vais ter que viver na montanha... disse o Joaquim.
- Ah isso é que não! eu vou dar caça a esse animal!
É certo que não o ia fazer, Gerónimo não gostava de matar animais, só quando tinha de ser. Antes disso ia tentar encontrar ele próprio uma solução para o problema do Lobo!Era claro para ele que os seus amigos não se importavam com o Lobo!
Mas ele Não... Depois do ultimo encontro algo o ligava àquele Lobo e ele estava disposto a preservar essa união.
- Afinal não é todos os dias que se fala com um lobo! comentou com os seus botões
E saiu da taberna em direcção a casa. Já a noite se estendia por toda a planície iluminada pelo luar quando um Javali mais incomodado dava um enorme e gutural bramido.
Ao longe ouvia os ouriços a esgravatar por entre as folhas enquanto que os ralos orquestravam a melodia nocturna acompanhando Gerónimo no seu caminho de regresso.
Ao chegar a casa qual não foi o seu espanto quando viu o Lobo deitado à soleira da porta. Estava à sua espera....
Quando o Lobo viu o Gerónimo sem pressas, em silêncio, levantou-se e seguiu em direcção à montanha, num passo leve e lento como se quisesse ser seguído.
Gerónimo percebeu e sem mais seguiu o Lobo por entre a montanha.
Seguiu-o pela encosta que ladeava a margem do ribeiro até encontrarem um largo caminho de terra. Gerónimo lembrou-se de como era bonito o vale iluminado pelo luar visto dali de cima, e contemplou-o ao som das corujas que ecoavam lindas declarações.
Perto de um enorme carvalho o Lobo começou a trepar por umas rochas que subiam encosta acima. Gerónimo seguiu-o até que entraram numa enorme e fria gruta.
Na gruta ouviam-se os guinchos dos morcegos que alarmados pela presença de Gerónimo começaram a esvoaçar.Gerónimo sentou-se.O lobo começou então a falar.
- Gerónimo bem vindo à minha toca.Vivo aqui com a Loba as minhas crias, e os morcegos.
há muitas gerações que utilizamos esta toca para viver. É sempre este o sitio que escolhemos para criar as crias, pois há muitos animais para caçar e comer e é espaçoso para as suas brincadeiras.
Mas desde que o teu senhor construiu a cerca que vivemos aqui sem puder sair para lado nenhum.
Os animais estão tristes pois não podem sair, as minhas crias estão a ficar tristes e violentas porque querem sair.Querem caçar e brincar pelo vale e não conseguem por causa da cerca!
os animais estão todos muito tristes e revoltados e incumbiram-me de resolver este problema.
depois de muito pensar resolvi agir e já há mais de uma semana que tento comunicar contigo.

Tenho um plano para resolver este problema e preciso do teu apoio.

No próximo mês vais marcar um encontro com o teu senhor em tua casa. Vais chama-lo para ver os seus animais. Como estão grandes, sãos e felizes na quinta que preparas com tanta dedicação.
Depois à noite vais convida-lo para cear, e quando ele estiver na tua mesa eu disfarço-me com as tuas roupas, como é de noite ele não se vai aperceber, e convenço-o a tirar cerca!
- Mas isso é impossível, ele está sempre acompanhado pelos seus súbditos, se o senhor não te reconhecer, reconhecem-te eles. disse o Gerónimo
- Eu sei Gerónimo, por isso é que eu preciso do teu apoio. disse o Lobo.
Enquanto eu estiver na sala de jantar com o teu Senhor tu estarás a distrair os seus súbditos fora de casa.
Tens que os distrair pelo menos durante 5 minutos, pois esse é o tempo que eu preciso para convencer o teu senhor a retirar a cerca.
- Parece-me um bom plano - disse Gerónimo - e se não resultar?
- Se não resultar.... Digo-te que o teu senhor ficará muito contente!
Gerónimo naquele momento viu nos olhos do Lobo um enorme brilho!O Lobo parecia estar muito certo do que dizia, como se todo aquele plano estivesse energicamente planeado.Nada ia falhar mesmo a pior das hipóteses.

Só terás que dizer que me apanhaste e que lhe querias fazer uma surpresa ao entregar-me ao teu senhor por isso é que o convidaste.
Eu deixar me-ei apanhar pelos seus servos. continuou o Lobo
Gerónimo ficou em silêncio.E deixou que um enorme aperto lhe esmagasse o coração!

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