Numa praia do norte de Angola, lá para os lados do Soyo, há uma aldeia de pescadores conhecidos por navegarem o mar como ninguém. Recolhem do mar os peixes para o seu sustento e deixam lá sorrisos, suor e por vezes as lágrimas.
Quando regressam da faina, estendem na areia branca as redes carregadas de peixes, que saltam vezes sem conta numa tentativa de encontrar o mar de novo.
Os mais novos logo se aproximam curiosos, divertidos! A ajudam a carregar as redes e empurrar os barcos para a areia segura. O Kiari e a Nkenge são irmãos e têm esta rotina todos os dias. Fazem-no pois ganham algo para se sustentar, desde que o mar lhes levou os pais numa noite de tempestade. Depois, de tarde, vão para a escola.
Vivem com a avó Muxima, peixeira "desde que o mar chegava lá no alto, ao pé da estrada", costumava dizer aos seus netos.
- Kiari, Nkenge, vamos! Rápido que estão a dar boas ondas na praia gritou o Carlitos!
- Diacho do miúdo já cá está! - barafustou a avó.- Ó Carlitos, tu já passaste em casa?
- Sim avó Muxima, Mal vim da escola, deixei a mochila em casa! O Kiari e a Nkenge estão em casa?
- E já fizeste os trabalhos?
- Trabalhos! hum... Hoje é sexta! Tenho tempo de os fazer amanhã. Agora tenho de ir surfar! Estão boas as ondas cota Muxima! - Respondeu o Carlitos.
- Kiari, Nkenge, eu vou indo! Gritou o Carlitos. - Espero por vocês na praia!
- Ai este miúdo. Só pensa nas ondas do mar! E o pior é que estas ondas só têm espuma! Não trazem nada de bom para o futuro!
- Podemos ir ter com o Carlitos? - Perguntou o Kiari.
- Já fizeram os trabalhos?
- Sim, acabamos agora! - disse a Nkenge
- Quero-vos aqui antes de o Sol se pôr!
- Tá bem vó! Até já!
- Levem uma manga para o lanche! - gritou a avó!
Já não ouviram o conselho da avó. Saíram tão rápido como a brisa que afaga o calor de verão!
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