sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Kitabanga - Parte I

Numa praia do norte de Angola, lá para os lados do Soyo, há uma aldeia de pescadores conhecidos por navegarem o mar como ninguém. Recolhem do mar os peixes para o seu sustento e deixam lá sorrisos, suor e por vezes as lágrimas.

Quando regressam da faina, estendem na areia branca as redes carregadas de peixes, que saltam vezes sem conta numa tentativa de encontrar o mar de novo.

Os mais novos logo se aproximam curiosos, divertidos! A ajudam a carregar as redes e empurrar os barcos para a areia segura. O Kiari e a Nkenge são irmãos e têm esta rotina todos os dias. Fazem-no pois ganham algo para se sustentar, desde que o mar lhes levou os pais numa noite de tempestade. Depois, de tarde, vão para a escola.

Vivem com a avó Muxima, peixeira "desde que o mar chegava lá no alto, ao pé da estrada", costumava dizer aos seus netos.

- Kiari, Nkenge, vamos! Rápido que estão a dar boas ondas na praia gritou o Carlitos!

- Diacho do miúdo já cá está! - barafustou a avó.- Ó Carlitos, tu já passaste em casa?

- Sim avó Muxima, Mal vim da escola, deixei a mochila em casa! O Kiari e a Nkenge estão em casa?

- E já fizeste os trabalhos?

- Trabalhos! hum... Hoje é sexta! Tenho tempo de os fazer amanhã. Agora tenho de ir surfar! Estão boas as ondas cota Muxima! - Respondeu o Carlitos.

- Kiari, Nkenge, eu vou indo! Gritou o Carlitos. - Espero por vocês na praia!

- Ai este miúdo. Só pensa nas ondas do mar! E o pior é que estas ondas só têm espuma! Não trazem nada de bom para o futuro!

- Podemos ir ter com o Carlitos? - Perguntou o Kiari.

- Já fizeram os trabalhos?

- Sim, acabamos agora! - disse a Nkenge

- Quero-vos aqui antes de o Sol se pôr!

- Tá bem vó! Até já!

- Levem uma manga para o lanche! - gritou a avó!

Já não ouviram o conselho da avó. Saíram tão rápido como a brisa que afaga o calor de verão!

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