quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Kitabanga -Parte IV

Ao longe, a crista da montanha dizia-nos que o sol se levantara fazia pouco. Os amigos já estavam no mar a surfar as ondas. Não havia frio, apenas a alegria de domar as ondas com pranchas de madeira. A Nkenge olhava na areia e apreciava a emoção dos dois amigos no mar e sorria a cada manobra conseguida.

Nkenge olhou ao longe e viu o Sr. Tchindongo, que no seu passo lento, aproximava-se do local onde os amigos haviam avistado o ninho de Tartaruga. O Sr. Tchindongo não podia deixar de ir lá verificar se era mesmo um ninho.

Às voltas na areia, investigava cada rasto e cada pegada. A Nkenge curiosa, deixou os amigos no mar e correu para perto do Sr. Tchindongo.

- Olá Tchindongo. Vais apanhar os ovos? - Disse a Nkenge ao aproximar-se do Sr. Tchindongo

- Não, não se pode fazer isso. Este ninho já foi feito há algum tempo. Os ovos estão já a transformar-se em bonitas tartarugas. Temos é de o proteger. - Disse o Sr. Tchindongo.

- Sobre alí aquela duna e traz-me os quatro paus que lá estão. Vamos cercar o ninho para que ninguém passe por cima dele, ou mesmo para que os pescadores não arrastem por aqui os seus barcos. Assim os ovos não serão esmagados.

Nkenge correu praia fora para encontrar os paus que o Sr. Tchindongo havia pedido.

- Agora sim. O ninho está protegido. - Disse o Sr. Tchindongo enquanto enterrava o último pau na areia.

- Não é preciso por uma rede enrolada nos paus para fazer uma cerca? Assim o ninho ficava mais protegido e ninguém entrava para o pisar! - Disse a Nkenge.

- Não podemos fazer isso. Senão os neonatos, não conseguiam correr para encontrar o mar, quando nascerem. Assim está bem. Já está assinalado com quatro estacas e ninguém passará por aqui!

- Olha que engraçado. Parece um campo de futebol em ponto pequeno. - Disse o Carlitos que, entretanto, já havia regressado da água.

- Olá meninos. Vejo que já não há ondas e que já acabaram de surfar. - Disse o Sr. Tchindongo.

- Estamos a cercar o ninho para que ninguém passe por cima dele e esmague os ovos! - respondeu a Nkenge.

- Ah! Boa. Assim estão a proteger o ninho dos intrusos. - Disse o Carlitos.

- Mesmo assim, não impede de que as pessoas venham aqui roubar os ovos! - disse o Kiari.

- Sim. e durante a noite quando não estiver ninguém na praia. - disse o Carlitos.

- Pois. Esse é um dos maiores problemas que os ninhos enfrentam. As pessoas vêm cá para recolher os ovos e vendê-los nos restaurantes. - Disse o Sr. Tchindongo.

- Oh! Que horrível. Como é que alguém é capaz de comer estas lindas Tartaruguinhas! - Disse a Nkenge.

- Podemos vigiar o ninho. Fazemos turnos e vigiamos o ninho até que as Tartaruguinhas nasçam! - Disse o Kiari!

- Boa. Eu não me importo. Eu faço o turno da noite, e depois vou logo surfar pela manhãzinha, pois vão dar boas ondas. - Disse o Carlitos.

- Eu e a Nkenge ficamos durante o dia. - Disse o Kiari.

- Eu darei uma ajuda sempre que conseguir. - Disse o Sr. Tchindongo.

As marés iam passando e com elas o tempo que os amigos passavam junto do ninho de Tartaruguinhas, a vigiá-lo e a protegê-lo.

As quatro estacas e os quanto amigos começavam a fazer parte da paisagem daquela imenso areal vazio que apenas conhecia por vezes os barcos e as redes dos pescadores da aldeia.

Nada de estranho se passava naquele areal e as Tartaruguinhas estavam bem protegidas.

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