domingo, 28 de dezembro de 2025

Musi e a noite de Natal

A Lezíria do Tejo é uma zona rica de biodiversidade e por lá habitam vários animais, mas há um local muito particular onde um casal de musaranhos, o Musi e a Musa, encantados com as estórias contadas pela sua amiga Cristina, uma coruja das torres.
Ela, uma coruja muito viajada, tem falado muito do entusiasmo das criaturas bípedes em relação ao Natal. As decorações, as canções, a corrida desenfreada pelas prendas com embrulhos e laços deslumbrantes, o brilho nos olhos das crianças e... a árvore de Natal.
O casal de musaranhos pensou então em fazer um Natal no bosque, e chamaram os amigos mais próximos.
O Barnabé, uma boga bem disposta que fazia grandes maratonas rio acima, rio abaixo.
O Marcelo, um melro d’água também ele muito viajado mas mais discreto sobre as suas experiências, no entanto, confirmou o encanto do Natal aos amigos.
A Graciete, uma guarda-rios muito energética e já no espírito natalício deu a ideia que quem tivesse asas deveria voar até aos bípedes para arranjar enfeites para decorar uma árvore do bosque, para que todos se juntassem na noite de consoada e celebrar o primeiro Natal da Lezíria.
Aquele entusiasmo todo passava-se na margem esquerda do rio, na outra margem outros tantos amigos, nada bem intencionados começaram a aperceber-se das movimentações e do bom espírito e logo começaram a congeminar como arruinar aquela felicidade toda.
A Rita, uma raposa astuta a matreira, que pela sua má experiência com os bípedes, não ficou nada entusiasmada com o espirito natalício do outro lado do rio.
A Gertrudes, uma gineta solitária contaminada pela forte e má influência humana daquele lado do rio, onde uma família humana de bípedes tinha uma grande exploração de pecuária. A gineta começava a sentir a presença daquela industria, o solo estava a morrer e o cheiro era insustentável e quase a chegar ao rio, aquela poluição era um perigo para o rio.
O Silvio, um sacarrabos muito conhecido em ambos os lado do rio pela sua rebeldia e coragem para circular entre os bípides.
O Abel, uma águia altiva e desconfiada sempre em disputa com Rita, mas numa estranha aliança eram amigos e, também, pouco amigos dos bípedes.
O grupo dos quatro! Era assim que os animais do outro lado do rio eram apelidados pelo casal de musaranhos. Haviam passado a semana toda a sabotar os esforços natalícios dos amigos para fazer uma festa de natal no Bosque. O Sacarrabos Sílvio comeu as nozes e as avelãs todas que o Musi tinha angariado. A Águia Abel sobrevoava ameaçadoramente o rio impedindo a Coruja Cristina e a Guarda-Rios Graciete de voar para recolher ramos para o presépio. A Gineta Gertrudes, durante a noite, destruiu os enfeites da árvore de Natal que havia sido enfeitada pelos amigos. E a Raposa Rita invadia os ninhos do melro-de-água Marcelo e da Graciete aterrorizando os mais pequenos!
A noite de Natal estava já estragada pelo clima que se havia instalado e pelas batalhas que continuavam sem parar, com ambos os grupos a defenderem como podiam a sua margem do rio.
A Coruja Cristina, cansada de tanta algazarra no rio, começou a cantar uma canção para aliviar o stress de ver os animais em clima de guerra! Era uma melodia do bosque, muito antiga, transmitida de geração em geração e que a mãe lhe havia ensinado.
Na verdade, a música era tão bela e harmoniosa que os animais pararam todos para ouvir e rapidamente começaram a cantar.
A melodia ouvia-se suavemente por todo o bosque e embalada pela brisa e pelo luar da lua rapidamente chegou aos amigos bípedes.
- Que noite tão boa que está hoje! – disse o bípede número 1.
- Uma delícia. É mesmo noite de Natal! – disse o bípede número 2.
No rio a coruja Cristina continuava a cantar, acompanhada pelos animais do bosque.
E foi assim que, em paz e harmonia, os animais do bosque passaram mais uma bela noite de Natal

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